terça-feira, 2 de julho de 2013

Fauna gaúcha tem 11 espécies extintas e 274 ameaçadas

 

Entrevista especial com Glayson Bencke

“Embora o aumento das espécies em extinção tenha sido baixo, as elas mudaram mais do que implica esse ligeiro acréscimo. Então, quer dizer que mais espécies saíram da lista, deixaram de ser consideradas ameaçadas e outras entraram em seu lugar”, aponta o pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN/FZB).
Confira a entrevista.
Foto de www.klimanaturali.org
 A revisão da lista das espécies da fauna gaúcha em extinção, elabora em 2002, está sendo revisada e estará disponível para consulta pública a partir desta segunda (1-07-2013). 129 pesquisadores identificaram, onze anos depois, 274 espécies em extinção no Rio Grande do Sul, sendo 11 regionalmente extintas. De acordo com Glayson Bencke, foram avaliadas mais de 1580 espécies de mamíferos, repteis, anfíbios, e peixes de água doce do estado, além de um conjunto de espécies de invertebrados, como aranhas, moluscos.
Apesar de ser impossível comparar os dados apontados nas duas listas por conta dos critérios de estudo adotados em cada uma, Bencke adianta que já “é possível perceber o número de espécies dos campos do Rio Grande do Sul que entraram na lista atual em comparação com a elaborada em 2002”. Segundo ele, “as espécies campestres estão em extinção, porque os pampas e os campos de cima da serra sofreram uma redução significativa nos últimos oito e 15 anos, respectivamente, com a expansão da soja e da silvicultura, além de problemas oriundos de espécies exóticas”.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ele informa que os grupos de espécies florestais, “especialmente das florestas de planícies das terras baixas do litoral norte, das florestas do alto Uruguai e do planalto, que são mais degradadas, despontam como as que sustentam espécies em situação mais crítica. Nós podemos citar o norte do estado, com o Parque Estadual do Turvo, e outras poucas áreas no entorno, onde existem a anta, a onça pintada, o porco-queixada, o viado-materi, e outras espécies praticamente restritas a essas poucas grandes manchas do norte”.
Bencke é graduado em Zoologia, pela Unisinos, e pós-graduado na mesma área, pela UNESP de Rio Claro, São Paulo. Especialista em aves, ele atua como pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
Confira a entrevista.
Foto de www.dallari.com.br
IHU On-Line – Quantas espécies estão na lista da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul?
Glayson Bencke – A lista atual foi elaborada em 2002 e está em vigor hoje, com 261 espécies. Essa lista está sendo revisada, e a principal etapa já está concluída, que diz respeito à avaliação do estado de conservação das espécies da fauna estadual, por um grupo de 129 especialistas de 40 instituições, os quais usaram critérios de avaliação internacionais. Eles concluíram que existem 274 espécies enquadradas como ameaçadas, mas 11 como regionalmente extintas. A próxima etapa é a consulta pública, onde esse resultado será apresentado à sociedade para colher informações que possam refinar os dados com alguma informação importante.
IHU On-Line – Quais os critérios utilizados para analisar as espécies em extinção? Pode nos falar do processo de identificação dessas espécies? Quais são as razões para tantas espécies estarem em extinção?
Glayson Bencke – Foram utilizados critérios internacionais que levam em conta os limites de populações de distribuição geográfica e taxas de declínio, ou seja, de redução da população. Se as espécies se enquadram nessas categorias, estão ameaçadas. Existem três categorias de ameaça: a vulnerável, que está ameaçada de extinção, mas numa situação menos nítida; depois tem o estágio intermediário; e o estágio mais crítico. As espécies são enquadradas nessas categorias com base em dados quantitativos associados a dados qualitativos, que refletem o tamanho da população delas, a área de ocupação que ocupam no estado, e a taxa de declínio. Esses dados são diretos, baseados na contagem e na observação dos animais, e indiretos, com base nas capturas, como acontece no caso dos peixes. Hoje também temos monitoramento por satélite dos ecossistemas do estado, tanto os florestais quanto os campestres, que nos dão uma boa ideia de como as populações de animais vivem em campos, banhados ou florestas. Foram avaliadas mais de 1580 espécies, representando mamíferos, répteis, anfíbios e peixes de água doce do estado, mais um conjunto de espécies de invertebrados, como aranhas, moluscos.
IHU On-Line – Na versão da lista elaborada em 2002, foram indicadas 261 espécies em extinção. O número aumentou para 274. Qual o significado dessa mudança num período de 10 anos?
Glayson Bencke – É difícil comparar diretamente as duas listas, porque o critério que se utilizou hoje é completamente diferente do anterior. Em 2002, não se tinha um avanço tão grande na construção de critérios de avaliação. O trabalho de 2002 foi feito com o melhor material que existia à época, mas hoje existem critérios mais precisos, que permitem uma acurácia maior e, portanto, temos um resultado mais confiável no sentido de ter menos incertezas acerca das espécies que estão ameaçadas.
A mudança do critério de avaliação explica, em grande parte, a mudança de alteração no número. Além disso, hoje temos mais especialistas e mais informações sobre a fauna gaúcha, o que nos permitiu avaliar muito mais espécies do que foi possível avaliar em 2002. A lista de 2002 foi elaborada com a participação de 42 especialistas, mais 120 colaboradores, enquanto a lista atual envolveu 129 especialistas e 146 colaboradores. Foi um processo representativo e participativo e isso torna difícil comparar os dados com o resultado anterior. Acreditamos que daqui para frente será possível analisar os dados com mais precisão.
De qualquer maneira, já é possível perceber o número de espécies dos campos do Rio Grande do Sul que entraram na lista atual em comparação com a elaborada em 2002. As espécies campestres estão em extinção, porque os pampas e os campos de cima da serra sofreram uma redução significativa nos últimos oito e 15 anos, respectivamente, com a expansão da soja e da silvicultura, além de problemas oriundos de espécies exóticas.
IHU On-Line – O avanço da silvicultura no Estado contribui para a extinção de algumas espécies?
Glayson Bencke – Contribuiu no sentido de eliminar o habitat das espécies que dependem do campo. A expansão ocorre nas regiões campestres, assim como a agricultura eliminou os ambientes florestais há décadas com a expansão do trigo. É um processo que se repete com as paisagens campestres, e isso preocupa porque se percebe o declínio de espécies por conta dos monocultivos. Também destaco a situação crítica de algumas espécies de peixes ao longo da costa do Rio Grande do Sul, que chegam a limites inaceitáveis, como as populações de peixes que foram levadas a zero por uma sobrepesca, chegando à beira de extinção, como os pequenos tubarões.
IHU On-Line – Como esse dado é comparado com outros estados do país?
Glayson Bencke – As avaliações por estado não são simultâneas. Então, não existe como comparar qual seria o número de espécies ameaçadas, hoje, em outros estados. Por exemplo, a lista do Rio de Janeiro está recém sendo atualizada, e a lista anterior, se não estou enganado, é de 1998 ou 1995. A lista de São Paulo foi atualizada em 2008, e a de Santa Catarina saiu no ano passado. Então, os estados estão em momentos diferentes, o que dificulta um pouco a comparação.
É importante frisar que temos a lista nacional, elaborada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, e as listas regionais, que são complementares. Uma espécie pode estar bem em outros estados, mas em extinção em outro. E se está desaparecendo num estado, no futuro pode vir a desaparecer em outros. A propósito, a lista nacional também está sendo revisada. As últimas listas são de 2003 e de 2004: a de 2003 envolvendo organismos terrestres, e a de 2004 envolvendo organismos marinhos, aquáticos.
Esse processo é longo, porque envolve muitos grupos, muitos especialistas, são realizadas oficinas para cada grupo. Então, realmente é um processo lento.
IHU On-Line – Em que regiões do estado a fauna está mais ameaçada?
Glayson Bencke – Para responder a essa questão, precisaria fazer um balanço pela distribuição das espécies. Sabemos que 22% das espécies de mamíferos no estado estão ameaçadas. Quer dizer, uma em cada quatro ou cinco espécies de mamíferos está ameaçada. As aves são 14%, aproximadamente uma em cada seis espécies. Répteis são 11%, uma em cada dez espécies ameaçadas. Anfíbios são 15%; esse é um grupo que subiu bastante em relação à lista anterior. Em 2002 contabilizamos uns dez anfíbios, e agora estamos com 16, houve um aumento de 60%. Houve um aumento da extinção de peixes também; passou de 28 espécies em extinção para 69.
Os grupos de espécies florestais, especialmente das florestas de planícies das terras baixas do litoral norte, das florestas do alto Uruguai e do planalto, que são mais degradadas, despontam como as que sustentam espécies em situação mais crítica. Nós podemos citar o norte do estado, com o Parque Estadual do Turvo, e outras poucas áreas no entorno, onde existem a anta, a onça pintada, o porco-queixada, e outras espécies praticamente restritas a essas poucas grandes manchas do norte. E aí, como eu frisava antes, embora se tenha menos diversidade e menos riqueza de espécies nos campos, proporcionalmente as espécies de campo estão bem representadas, infelizmente, na nova lista que está para ser chancelada e concluída.
Então, muitas espécies de peixes anuais, que são pequenos peixes que habitam poças temporárias no meio do campo, nas margens dos rios, abrigam várias espécies ameaçadas, mais de duas dezenas. Várias aves campestres também se enquadram como ameaçadas, pela perda do hábitat, algumas também por efeito de captura.
IHU On-Line – Houve alguma surpresa durante a realização da pesquisa?
Glayson Bencke – Embora o aumento das espécies em extinção tenha sido baixo, as espécies mudaram mais do que implica esse ligeiro acréscimo. Então, quer dizer que mais espécies saíram da lista, deixaram de ser consideradas ameaçadas e outras entraram em seu lugar. Para citar um exemplo, partimos de 28 espécies de peixes para 69 espécies ameaçadas na nova avaliação. Então, aí já se vê que entraram muitas espécies que antes não eram consideradas ameaçadas. Em contrapartida, o número de aves, possivelmente por causa do critério mais preciso que permite avaliar com mais acurácia aquela espécie que está no limite entre ameaçada ou não, o número de espécies de aves reduziu de 118 para 91. E isso, infelizmente, não representa, pelo menos nesse momento, uma melhora nas condições do ambiente, o que poderia se esperar a partir desses números, mas, sim, o uso de um critério mais preciso de que a tendência é se manter a longo prazo o uso desse mesmo critério, e aí vai tornar mais comparável.
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Glayson Bencke – Só gostaria de acrescentar que esse trabalho foi conduzido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, coordenado pela Fundação Zoobotânica, mas a avaliação das espécies foi feita, na verdade, por um grande conjunto de especialistas que trabalharam voluntariamente na avaliação do estado de conservação da espécie. Colocaram, então, seu conhecimento, expertise à disposição do Rio Grande do Sul para avaliar o estado de conservação das espécies.
O sistema foi operado via internet, desenvolvido conjuntamente pela Fundação Zoobotânica e pela Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – PROCERGS, e o sistema livre foi operado pela internet, permitindo com que mais pessoas fossem integradas ao processo e trabalhassem remotamente, dos seus escritórios, das suas salas de trabalho, das suas casas. Então, teve-se um alcanço maior a esses especialistas, com um custo muito mais baixo, e com melhora na documentação. Hoje temos todas as informações mantidas com base de dados na internet, de fácil acesso e com segurança, graças a esse investimento e essa inovação tecnológica.

DESENVOLVIMENTO RURAL

Cooperativa de leite em Alagoas ajuda agricultores familiares a aumentar a renda

02/07/2013 10:55

Cooperativa de leite em Alagoas ajuda agricultores familiares a aumentar a renda

Foto: Ascom/MDA

A Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) virou exemplo de casos concretos de agricultores familiares que seguiram as recomendações técnicas de convivência com os problemas causados pela estiagem, mostrando a viabilidade da indústria láctea no semiárido nordestino. São famílias que deixam de ser dependentes do Programa Bolsa Família do governo federal porque elevaram sua renda líquida mensal para dois a três salários mínimos, saindo da linha da miséria para a nova classe média rural em pleno semiárido nordestino.
Desde 2001, a CPLA visa fortalecer os agricultores familiares para que possam escoar a produção no mercado alagoano de 32 mil produtores de leite. E para, cada vez mais, atender o maior número de produtores no estado, a cooperativa criou 71 associações em 102 municípios com mais de três mil agricultores associados. Para fazer o trabalho de beneficiamento e comercialização, a CPLA contratou 16 pequenas indústrias de laticínios que estão distribuídas na região da Zona da Mata, Agreste e Sertão de Alagoas.
As associações são responsáveis pelo recolhimento do leite com os agricultores e o transporte para os laticínios mais próximos. Cerca de 90 mil litros de leite por dia são pasteurizados, empacotados e entregues pelas indústrias que também são contratadas para fazer o transporte. Desse total, 80 mil litros de leite são comercializados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e dez mil litros são entregues às prefeituras para o Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae), ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Por ano, a cooperativa produz 36,5 milhões de litros de leite, sendo responsável por 35% da produção em Alagoas. Os agricultores familiares da cooperativa também acessam as linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), como as de custeio e investimento, além do Garantia-Safra – ação voltada para a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), majoritariamente semiárida.
Projeto Apoiar a reestruturação da cadeia produtiva do leite no estado é o que impulsiona o trabalho da CPLA. “Aqui em Alagoas o clima é seco e tem luminosidade favorável à produção de leite. Com isso, queremos construir, de forma organizada, condições melhores de vida pelas mãos dos agricultores para que eles sobrevivam na região”, deseja o presidente da CPLA, Aldemar Monteiro.
Ele contou que a cooperativa assumiu o projeto de reativação da fábrica Camila, no município de Batalha, que já foi a maior indústria de laticínios do estado e que será reaberta este ano. A ideia, segundo Aldemar, é agregar mais valor ao leite produzindo derivados como queijos, iogurtes, leite em pó, leite condensado. “Para isso, precisamos aumentar a produtividade e temos o projeto de disponibilizar uma metodologia de gestão e assistência técnica aos dois mil agricultores familiares que já estão melhorando as condições de vida tirando-os da extrema pobreza”, afirma Aldemar. Com o projeto, a cooperativa pretende atender 10% dos produtores agregando 23 milhões de litros/ano, contribuindo para o abastecimento do mercado local.
Exemplo disso é o agricultor familiar Marcelo Pereira que substituiu a fumicultura pela pecuária leiteira. Na comunidade Santa Rosa, zona rural de Craíbas no Agreste, Marcelo produzia 50 litros por dia e passou a produzir 230 litros no primeiro teste do projeto de gestão e assistência técnica que a cooperativa está engajada desde 2009. Com isso, trocou os R$ 70 que recebia do Bolsa Família por uma renda mensal em torno de R$ 1.800. “A meta da cooperativa é ter muitos ‘Marcelos’ e ser parceira do governo federal para as políticas públicas contribuírem com o crescimento da agricultura familiar produtora de leite em Alagoas”, conclui o presidente da CPLA.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Pode ser a gota d'água: enfrentar a direita avançando a luta socialista

Mauro Iasi *
 
            O mundo se move sob nossos pés, as velhas formas se rompem, surgem novas e as contradições que se acumulavam explodem buscando o caminho necessário, encontrando sua forma de expressão.
            A explosão social que abalou o país brotou do terreno escondido das contradições. Lá para onde se costuma exilar as contradições incômodas: a miséria, a dissidência, a alteridade, a feiúra, a violência. Germinaram no terreno do invisível, escondido e escamoteado pela neblina ideológica e o marketing cosmético que epidermicamente encobre a carne pobre da ordem capitalista com grossas camadas de justificativa hipócrita, de cinismo laudatório de uma sociabilidade moribunda.
            As autoridades, os especialistas, sociólogos, politicólogos e jornalistas estão perdidos dando razão à dissertativa atribuída à Marx segundo a qual “a história só surpreende quem de história nada entende”. Declamam seu espanto querendo acreditar na extrema novidade, pois só isto explicaria sua brutal ignorância. No terreno da história nada é absolutamente novo.
Se há algo que é muito conhecido para quem não se limita ao presentismo, ou foucaultianamente à aléa singular do acontecimento, é a insurreição, a explosão de massas. Caso tenham preconceitos contra nossa tradição marxista e se recusem a ler as brilhantes análises de Lênin em Os ensinamentos da insurreição de Moscou, ou de Trotski em A arte da insurreição, pode se remeter aos estudos de Freud em  A psicologia de massas e análise do ego, ou a magistral análise de Sartre em  A critica da razão dialética.
As massas explodem em uma dinâmica que altera profundamente o comportamento dos indivíduos isolados que pacificamente se dirigiam diariamente ao matadouro do capital, em ordem, pacificamente, saindo de suas casas humildes, pegando ônibus superlotados e precários, sendo humilhados pela polícia, vivendo de seus pequenos salários, vendo a orgia ostensiva do consumo e tendo que “subviver” com o que não tem.
Os jovens do Movimento Passe Livre (MPL) estão de parabéns por uma luta que não vem de agora (lembremos Goiânia e Florianópolis) e por conseguir dar consistência a esta luta e ao confronto que os levou a dobrar a prepotência dos que afirmavam de início que a tarifa não seria rebaixada. As manifestações contra o aumento da passagem, no entanto, são apenas o desencadeador de algo muito maior. O movimento funcionou como um catalisador de um profundo descontentamento que estava soterrado pela propagando oficial.
Analisemos, então, as determinações mais profundas que se apresentam nesta explosão social.
Em primeiro lugar as manifestações expressam um descontentamento que germinava e que era alimentado pela ação que queria negá-lo, isto é, pela arrogância de um discurso oficial que insistia em afirmar que tudo ia bem: a economia estava bem, não porque garantia a produção e reprodução da vida, mas por que permitia a reprodução do capital com taxas de lucros aceitáveis, o Brasil escapara do pior da crise internacional a golpes de pesados subsídios às empresas monopolistas, a inflação estava “entorno do centro da meta”, o Brasil recebia eventos esportivos e se transformava em um canteiro de obras, os trabalhadores apassivados e suas entidades amortecidas pelo transformismo e pela democracia de cooptação se rendiam ao consumo via endividamento, a governo se regozijava com índices de aceitação que pareciam sólidos.
            Acontece aqui um velho e conhecido fenômeno. A vida real não combina com o discurso ideológico. A inflação entorno da meta explodia na hora das compras, de pagar o aluguel, de pagar as contas, de pegar um ônibus. As delicias do consumo voltavam na forma de dívidas impagáveis. O acesso ao ensino vira o pesadelo da falta de condições de permanência. O emprego desejado se transforma em doença ocupacional. O orgulho de receber eventos esportivos internacionais se apresenta na farra do boi de gastos enquanto a educação, a saúde, a moradia, os transportes ficam às moscas.
            O estopim foi o aumento das passagens e aqui se apresenta um elemento altamente esclarecedor. Nas primeiras experiências de governos municipais do PT o enfrentamento da questão do transporte se deu através da municipalização deste serviço. Em São Paulo chegou-se a falar e tarifa zero no governo de Erundina. Em uma segunda geração de governos petistas, todas as empresas municipais foram devolvidas aos empresários que exploravam o setor (e explorar é um termo preciso). Coincidentemente os empresários do transporte se tornaram uma das principais fontes de financiamento das campanhas deste partido.
Entendendo que a explosão é perfeitamente compreensível como forma de manifestação de um profundo descontentamento, sabemos que é mais que isso. Representa, também, o esgotamento de uma forma que tem sido muito eficaz de domínio e controle político. Cultivamos um fetiche pela forma democrática como se ela em si mesmo fosse a solução enfim encontrada pela humanidade para superar um dilema histórico da ordem burguesa que a acompanha desde o nascimento e que não tem solução dentro da sociedade capitalista: o abismo entre sociedade e Estado.
            A sociedade se representa através de políticos eleitos que formam as esferas decisórias, legislativas ou executivas, por meio do voto que transfere o poder para um conjunto de pessoas que supostamente expressam as diferentes posições e interesses existentes na sociedade. Abstrai-se, desta forma, o quanto os reais interesses políticos e econômicos em jogo deformam esta suposta límpida representação resultando na consagração do poder das classes dominantes, confirmando a dura descrição e Montesquieu segundo a qual “a República é uma presa; e sua força não passa do poder de alguns cidadãos e da licença de todos”, ou na ainda mais incisiva afirmação de Marx (e depois Lênin): a democracia é o direito dos explorados escolher a cada quatro anos quem os representará e esmagará no governo.
            Desta maneira é compreensível o espanto daqueles que acreditavam que estava tudo bem em uma sociedade marcada pelas contradições da forma capitalista e de sua expressão política, ignorando as profundas e conhecidas contradições que tal ordem gera inevitavelmente.
            Uma contradição, no entanto, encontra sempre uma forma particular para se expressar. A forma como se expressaram as contradições descritas também é perfeitamente compreensível.
            O último período político foi marcado por uma profunda despolitização dos movimentos sociais e dos movimentos reivindicativos da classe trabalhadora. Em dez anos de governo os trabalhadores não foram uma vez sequer chamados a participar ativa e independentemente da correlação de forças políticas em defesa de seus interesses e no terreno que lhe é próprio: as ruas, as praças, a cidade. Optou-se por uma governabilidade sustentada por alianças de cúpula nos limites da ordem política existente e do presidencialismo de coalizão, mantendo seus métodos, isto é, oferta de cargos, liberação de verbas e facilidades. Não é de se estranhar que em dez anos não se tenha implementado uma reforma política.
Em nenhum momento no qual uma demanda das massas trabalhadoras (reforma agrária, previdência, direitos trabalhistas, garantia de serviços públicos, etc.) que se chocava com a resistência dos setores conservadores foi resolvida chamando os trabalhadores a se manifestar e inverter a correlação de forças desfavorável às mudanças. Pelo contrário, via de regra, as soluções conservadoras foram propostas pelo governo que se  pretendia popular e se pedia às massas que se calassem e dessem, como prova de sua infinita paciência, mais um voto de confiança em suas lideranças que deles se alienavam.
Quando os trabalhadores se chocavam com a orientação governista, como na última greve dos professores e dos funcionários públicos federais, são tratados com arrogância e prepotência.
            Por isso, não nos espanta que a explosão social se dê da forma como se deu e traga os elementos contraditórios que expressa: despolitizada e sem direção, ainda que com alvos precisamente definidos: os governos e aquilo que representa a ordem estabelecida.
            A despolitização se expressa de varias formas, mas duas delas se apresentam com mais evidentes: a violência e antipartidarismo. Comecemos pela violência.
            Quanto à forma violenta que tanto espanta os ardorosos defensores da ordem temos que constatar que ela não é homogênea. Há pelo menos três vertentes da violência. Uma delas, difusa e desorganizada, é aquela que expressa a raiva e o ódio contra uma ordem que oprime, não por acaso esta se dirige contra as expressões desta ordem, seja os prédios públicos que abrigam as instituições da ordem política burguesa (sedes de governo, parlamentos, prédios do judiciário, etc.), mas também os monopólios da imprensa, da televisão, assim como os templos do consumo ostensivo. Esta manifestação é compreensível e até, em certa medida, justificada. Marx e Engels, ao analisar a situação alemã de 1850 (Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas) dizem a respeito:
 
Os operários não só não devem opor-se aos chamados excessos, aos atos de vingança popular contra indivíduos odiados ou contra edifícios públicos que o povo só possa relembrar com ódio, não somente devem admitir tais atos , mas assumir sua direção.
 
            Deixemos aos patéticos novos defensores da “ordem e da tranqüilidade” a defesa do fetiche do patrimônio público, uma vez que é esta “ordem” é que tem garantido às classes dominantes e seus aliados de plantão a “tranqüilidade” para saquear e depredar o verdadeiro patrimônio público.
            Há uma segunda vertente da violência. Jovens das periferias, dos bairros pobres, das áreas para onde se expulsou os restos incômodos desta ordem de acumulação e concentração de riqueza, que são cotidianamente agredidos e violentados, estigmatizados, explorados e aviltados, que agora, aproveitando-se do mar revolto das manifestações expressam seu legítimo ódio contra esta sociedade hipócrita e de sua ordem de cemitérios. Sua forma violenta em saques e depredações assustam, é verdade, mas a consciência cínica de nossa época passou a assumir como normal as chacinas, a violência policial. Pseudointelectuais chegaram a justificar como normal que a policia entre nas favelas e invada casas sem mandato, prenda, torture e mate em nome da “ordem”; ou seja, a violência só é aceitável contra pobres, contra bandidos, contra marginais, mas é inadmissível contra lixeiras, pontos de ônibus, bancos e vitrines.
            Há uma terceira violência e esta não é espontânea e emocional como as duas primeiras: a extrema direita. Ela, lá dos esgotos para onde foi jogada pela história recente, se sentia também ofendida e agredida, evidente que não pela ordem burguesa e capitalista que sempre defendeu, mas pelo irrespirável ar democrático que acertava as contas com nosso passado tenebroso, como a denúncia contra o golpe de 1964 e seus sujeitos, com as comissões da verdade, mas sobretudo o mal estar desta extrema direta com um regime político que permite a organização dos trabalhadores e sua expressão, mesmo nos precários limites de uma democracia representativa de cooptação. Assim como os movimentos sociais e de classe se despolitizam, a direita também. Para a extrema direita não interessa que a atual forma política permita aos monopólios seus gigantescos lucros e à burguesia sua pornográfica concentração de riquezas. A burguesia que já se serviu da truculência para garantir as condições de acumulação de capital, hoje se serve da ordem e tranquilidade democrática para os mesmos fins e neste contexto não há função clara para seus antigos cães de guarda.
            Estes não suportam nos ver andando com nossas camisetas que lembram nossos mártires, nossas bandeiras que recolhem o sangue de todos que lutaram, nossas firmes convicções que nos mantêm nas lutas diárias ao lado dos trabalhadores em defesa da vida, mas com o olhar certeiro no futuro necessário e urgente que supere a ordem do capital por uma alternativa socialista. Por isso nos atacam, usam das manifestações para acertar suas contas com a esquerda, de forma organizada, intencional e, certamente, com apoio formal ou informal das aparatos de repressão.
            A ação da extrema direita encontra respaldo na despolitização das massas, principalmente na expressão gritante do antipartidarismo. No entanto, neste caso temos que ter cautela ao analisar os fatos. O comportamento contra os partidos é compreensível, ainda que não justificado. Compreensível por dois motivos: as massas, graças a triste experiência petista, estão cansadas de partidos que usam as demandas populares para eleger seus vereadores, deputados e presidentes que depois voltam as costas para estas demandas para fazer seus jogos e alianças para manter em seus cargos; também, acertadamente, não podem aceitar que certos partidos pulem na frente de manifestações e movimentos para tentar dirigi-los sem a legitimidade de ter construído organicamente as lutas.
            Tal atitude, portanto, compreensível, é injustificável pelo fato que ao mirar os partidos de esquerda erra pelo fato que foram os militantes dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais que mantiveram no pior momento da correlação de força desfavorável as lutas entorno das demandas populares, por moradia, na luta pela terra, contra a reforma da previdência, contra as privatizações, em defesa da educação e da saúde públicas, contra os gastos com os eventos esportivos, contra as remoções. E o fizeram em um contexto em que as massas estavam submetidas a um profundo apassivamento e no qual o transformismo do PT em partido da ordem isolava a esquerda e a estigmatizava. Neste sentido os partidos de esquerda como o PCB, o PSTU, o PSOL e outras organizações de esquerda, assim como os movimentos sociais e sindicatos, não precisam pedir licença a ninguém para participar de lutas e manifestações sociais, conquistaram legitimamente este direito na luta, com sua coerência e compromisso.
            Para onde vão as manifestações? Alguns ingenuamente, ou de forma interesseira, acreditam que a mera existência da ação independente de massas configura em si mesma um fator positivo de transformação. Infelizmente, a história também nos traz elementos para questionar esta tese, alguns exemplos da história muito recente. Quando da derrocada do leste europeu advinda do desmonte da URSS, muitos saudaram como a possibilidade de uma revolução política que retomasse o rumo interrompido das experiências socialistas, mas o que vimos foi a restauração capitalista. Agora saúdam a chamada “primavera árabe”, mas o que temos visto, e a Líbia e o Egito são exemplos paradigmáticos, é o aproveitamento dos monopólios na partilha do botim de países estratégicos isolando mais uma vez os setores populares.
            O sentido e futuro das manifestações estão em disputa e temo em dizer que a esquerda está perdendo esta disputa para um sentido perigosamente de direita e conservador. Recentemente afirmei que a experiência política do último período, ao contrário do que alguns esperavam, havia produzido um desmonte na consciência de classe e  se expressava em uma virada conservadora no senso comum. Este processo ficou evidente nas manifestação, para além da intenção de seus originais promotores. O produto multifacetado das contradições mescla nas manifestações elementos de bom senso e senso comum, criticas difusas às manifestações mais evidentes da sociabilidade burguesa em que estamos inseridos ao lado de reafirmações de valores próprios desta mesma ordem, o que seria natural se entendermos o processo de despolitização descrito.
            Quando os adeptos do espontaneismo alardeiam a virtude de uma manifestação sem direção e que hostiliza partidos se esquecem é que se você não tem uma estratégia, não se preocupe, você faz parte da estratégia de alguém. Além da evidente eficiência dos monopólios da comunicação, o “partido da pena” nos termos de Marx, em pautar o movimento selecionando as bandeiras que interessa à ordem (luta contra a corrupção, nacionalismo, diminuição de impostos, etc.), outros elementos muito perigosos se apresentam.
            Um cartaz na manifestação no Rio dizia: se o povo precisar as Forças Armadas estão prontas para ajudar. Significativamente os militantes antipartido não destruíram esta faixa, talvez porque não sabem que existe além do partido da pena o “partido da espada”.  Em nota dos clubes militares da marinha, exército e aeronáutica, os militares depois de afirmar que as manifestações expressam majoritariamente a indignação com o descaso das autoridades com as aspirações da sociedade e que diante da dos vícios e omissões que se repetem chegou a hora de se “manifestar clamorosamente” e não aceitar “ser conduzido, resignadamente, como grupo ingênuo” dando “um basta à impostura e à impunidade”. A nota dos militares termina com uma clara provocação e cita Vandré: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
            A direita só germina e cresce no vazio deixado pela esquerda. A ilusão de um desenvolvimento capitalista capaz de resolver as demandas populares e garantir lucros aos capitalistas, sustentado por um governo de coalizão com a burguesia desarma os trabalhadores e a direita ocupa o terreno. Há um evidente cheiro de golpe no ar. A embaixadora dos EUA que estava na Nicarágua na época dos contras, na Bolívia quando da tentativa de dividir o pais, no Paraguai quando do golpe contra Lugo, chegou ao Brasil.
            Ao prefaciar o livro sobre de Leandro Konder sobre o fascismo republicado em 2009, dizia alertando para a atualidade do risco desta alternativa contra aqueles que achavam que este fenômeno estaria condenado ao passado:
 
Capital monopolista em crise, imperialismo, ofensiva anticomunista, criminalização dos movimentos sociais, decadência cultural, hegemonia da política pequeno-burguesa em detrimento da política revolucionária do proletariado, irracionalismo, neo-positivismo, misticismo, chauvinismos nacionalistas acompanhados ou não de racismo... Não se enganem. Só posso alertar, como certa feita o fez Marx: “esta fábula trata de ti”.
 
            A explosão de massas deu o recado: olha só meu coração, ele é um pote até aqui de mágoa, qualquer desatenção, faça não... pode ser a gota d’água.
 
*Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidente da ADUFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.
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Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br

Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922

Tarso Genro anuncia passe livre estudantil para transporte intermunicipal

O governador Tarso Genro anunciou, nesta quinta-feira, que irá instituir o passe livre estudantil no transporte intermunicipal a partir de 1º de agosto. Os alunos atendidos pela medida serão aqueles que residem em uma cidade e estudam em outra, no Ensino Médio ou na universidade. Serão beneficiados estudantes que circulam entre os municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, Litoral Norte, eixo Pelotas-Rio Grande e no eixo Caxias do Sul-Bento Gonçalves. 

>> AO VIVO: acompanhe as manifestações em tempo real

Estudos preliminares apontam que o impacto será de R$ 10 milhões por ano e a estimativa é que sejam concedidos 200 mil passes por mês. A proposta será regulamentada através de projeto de lei, que será remetido em regime de urgência para Assembleia Legislativa. O passe livre não vale para o trensurb. Atualmente, os estudantes têm desconto de 10% na tarifa.

>> Em página especial, leia todas as notícias sobre as manifestações

No encontro sobre reforma política, no Palácio Piratini, o governador defendeu uma "radicalização na democracia". Para isso, reiterou que a revisão das regras deve ser feita através de uma câmara constituinte, com a participação virtual da sociedade. 

— A participação virtual está hoje conduzindo o processo político brasileiro. É uma nova fonte de poder que se revela, e que, se não for levada em consideração, nenhuma democracia ou projeto político terá estabilidade — justificou. 

Tarso também sugeriu que as concessões dos meios de comunicação sejam reavaliadas. 

Relator do projeto de reforma política que tramita há 15 anos no Congresso, o deputado federal Henriques Fontana (PT-RS), em vídeo, disse que o sistema político já deu todos os sinais possíveis de exaustão. O parlamentar avaliou que o atual modelo deve ser revisto porque leva a governos conservadores, que retardam mudanças. 

— Não se vota (a proposta) porque o sistema interessa a muitos. 

Para o cientista político Luis Gustavo Grohmann, professor da UFRGS, a reforma política que está em pauta, embora seja importante, não atende às demandas das ruas.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Studio Clio

Cursos e oficinas
O Olho do Documentário
O documentário é um gênero clássico da história do cinema, que concilia pesquisa e informação com a expressão estética da sétima arte. Luz, música, enquadramento e edição são elementos marcantes de filmes como “Ritmos da cidade”, de Arne Sucksdorff (1948) e “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio (1982), referenciais na exploração dos recursos estéticos do cinema. Jaime Lerner, cineasta premiado e consagrado no gênero documental, ministra o curso “O Olho do documentário”, no qual explora direção e realização prática em nível conceitual, com ênfase na estética do documentário. Com iniciativa da Primeiro Corte Produções, o curso oferece ferramentas e conhecimentos para a criação de documentários, da pesquisa ao pré-roteiro.
Dias 02, 09, 16, 23 e 30 de julho, terças-feiras, das 14h às 18h
Valores das inscrições
Até o dia 27 de junho:
R$ 660,00 (público geral)
R$ 594,00 (professores e estudantes)

A partir de 28 de junho:
R$ 725,00 (público geral)
R$ 652,50 (professores e estudantes)

Os valores podem ser parcelados em até 3x no cheque ou no cartão.

A direita também disputa ruas e urnas

 
Quem militou ou estudou os acontecimentos anteriores ao golpe de 1964 sabe muito bem que a direita é capaz de combinar todas as formas de luta. Conhece, também, a diferença entre “organizações sociais” e “movimentos sociais”, sendo que os movimentos muitas vezes podem ser explosivos e espontâneos.
Já a geração que cresceu com o Partido dos Trabalhadores acostumou-se a outra situação. Nos anos 1980 e 1990, a esquerda ganhava nas ruas, enquanto a direita vencia nas urnas. E a partir de 2002, a esquerda passou a ganhar nas urnas, chegando muitas vezes a deixar as ruas para a oposição de esquerda.
A direita, no dizer de alguns, estaria“sem programa”, “sem rumo”, controlando“apenas” o PIG, que já não seria mais capaz de controlar a“opinião pública”, apenas a “opinião publicada”.
Era como se tivéssemos todo o tempo do mundo para resolver os problemas que vinham se acumulando: alterações geracionais e sociológicas, crescimento do conservadorismo ideológico, crescente perda de vínculos entre a esquerda e as massas, ampliação do descontentamento com ações (e com falta de ações) por parte dos nossos governos, decaimento do PT à vala comum dos partidos tradicionais etc.
Apesar destes problemas, o discurso dominante na esquerda brasileira era, até ontem, de dois tipos.
Por um lado, no petismo e aliados, o contentamento com nossas realizações passadas e presentes, acompanhada do reconhecimento mais ou menos ritual de que “precisamos mais” e de que “precisamos mudar práticas”.
Por outro lado, na esquerda oposicionista (PSOL, PSTU e outros), a crítica aos limites do petismo, acompanhada da crença de que através da luta política e social, seria possível derrotar o PT e, no lugar, colocar uma “esquerda mais de esquerda”.
As manifestações populares ocorridas nos últimos dias, especialmente as de ontem, atropelaram estas e outras interpretações.
Primeiro, reafirmaram que os movimentos sociais existem, mas que eles podem ser espontâneos. E que os autoproclamados“movimentos sociais”, assim como os partidos“populares”, não conseguem reunir, nem tampouco dirigir, uma mínima fração das centenas de milhares de pessoas dispostas a sair ás ruas, para manifestar-se.
Em segundo lugar, mostraram que a direita sabe disputar as ruas, como parte de uma estratégia que hoje ainda pretende nos derrotar nas urnas. Mas que sempre pode evoluir em outras direções.
Frente a esta nova situação, qual deve ser a atitude do conjunto da esquerda brasileira, especialmente a nossa, que somos do Partido dos Trabalhadores?
Em primeiro lugar, não confundir focinho de porco com tomada. As manifestações das últimas semanas não são “de direita” ou "fascistas". Se isto fosse verdade, estaríamos realmente em péssimos lençóis.
As manifestações (ainda) são expressão de uma insatisfação social difusa e profunda, especialmente da juventude urbana. Não são predominantemente manifestações da chamada classe média conservadora, tampouco são manifestações da classe trabalhadora clássica.
A forma das manifestações corresponde a esta base social e geracional: são como um mural do facebook, onde cada qual posta o que quer. E tem todos os limites políticos e organizativos de uma geração que cresceu num momento "estranho" da história do Brasil, em que a classe dominante continua hegemonizando a sociedade, enquanto a esquerda aparentemente hegemoniza a política.
A insatisfação expressa pelas manifestações tem dois focos: as políticas públicas e o sistema político.
As políticas públicas demandadas coincidem com o programa histórico do PT e da esquerda. E a crítica ao sistema político dialoga com os motivos pelos quais defendemos a reforma política.
Por isto, muita gente no PT e na esquerda acreditava que seria fácil aproximar-se, participar e disputar a manifestação. Alguns, até, sonhavam em dirigir.
Acontece que, por sermos o principal partido do país, por conta da ação do consórcio direita/mídia, pelos erros politicos acumulados ao longo dos últimos dez anos, o PT se converteu em símbolo principal do sistema político condenado pelas manifestações.
Esta condição foi reforçada, nos últimos dias, pela atitude desastrosa de duas lideranças do PT: o ministro da Justiça, Cardozo, que ofereceu a ajuda de tropas federais para o governador tucano“lidar” com as manifestações; e o prefeito Haddad, que nem na entrada nem na saída teve o bom senso de diferenciar-se do governador.
O foco no PT, aliado ao caráter progressista das demandas por políticas públicas, fez com que parte da oposição de esquerda acredita-se que seria possível cavalgar as manifestações. Ledo engano.
Como vimos, a rejeição ao PT se estendeu ao conjunto dos partidos e organizações da esquerda político-social. Mostrando a ilusão dos que pensam que, através da luta social (ou da disputa elietoral) seriam capazes de derrotar o PT e colocar algo mais à esquerda no lugar.
A verdade é que ou o PT se recicla, gira à esquerda, aprofunda as mudanças no país; ou toda a esquerda será atraída ao fundo. E isto inclui os que saíram do PT, e também os que nos últimos anos flertaram abertamente com o discurso anti-partido e com o nacionalismo. Vale lembrar que a tentativa de impedir a presença de bandeiras partidárias em mobilizações sociais não começou agora.
O rechaço ao sistema político, à corrupção, aos partidos em geral e ao PT em particular não significa, entretanto, que as manifestações são da direita. Significa algo ao mesmo tempo melhor e pior: o senso comum saiu às ruas. O que inclui o uso que vem sendo dado nas manifestações aos símbolos nacionais.
Este senso comum, construído ao longo dos últimos anos, em parte por omissão e em parte por ação nossa, abre enorme espaço para a direita. Mas, ao mesmo tempo, à medida que este senso comum participa abertamente da disputa política, cria-se condições melhores para que possamos disputá-lo.
Hoje, o consórcio direita/mídia está ganhando a disputa pelo pauta das manifestações. Além disso, há uma operação articulada de participação da direita, seja através da presença de manifestantes, seja através da difusão de determinadas palavras de ordem, seja através da ação de grupos paramilitares.
Mas a direita tem dificuldades para ser consequente nesta disputa. O sistema político brasileiro é controlado pela direita, não pela esquerda. E as bandeiras sociais que aparecem nas manifestações exigem, pelo menos, uma grande reforma tributária, além de menos dinheiro público para banqueiros e grandes empresários.
É por isto que a direita tem pressa em mudar a pauta das manifestações, em direção a Dilma e ao PT. O problema é que esta politização de direita pode esvaziar o caráter espontâneo e a legitimidade do movimento; além de produzir um efeito convocatória sobre as bases sociais do lulismo, do petismo e da esquerda brasileira.
Por isto, é fundamental que o PT e o conjunto da esquerda disputem o espaço das ruas, e disputem corações e mentes dos manifestantes e dos setores sociais por eles representados. Não podemos abandonar as ruas, não podemos deixar de disputar estes setores.
Para vencer esta disputa teremos que combinar ação de governo, ação militante na rua, comunicação de massas e reconstruir a unidade da esquerda.
A premissa, claro, é que nossos governos adotem medidas imediatas que respondam às demandas reais por mais e melhores políticas públicas. Sem isto, não teremos a menor chance de vencer.
Não basta dizer o que já fizemos. É preciso dar conta do que falta fazer. E, principalmente, explicar didaticamente, politicamente, as ações do governo. Marcando a diferença programática, simbólica, política, entre a ação de governo de nosso partido e os demais.
O anúncio conjunto (Alckmin/Haddad) de redução da tarifa e a oferta da força pública feita por Cardozo a Alckmin são exemplos do que não pode se repetir. Para não falar das atitudes conservadoras contra os povos indígenas, da atitude complacente com setores conservadores e de direita, dos argumentos conservadores que alguns adotam para defender as obras da Copa e as hidroelétricas etc.
Para dialogar com o sentimento difuso de insatisfação revelado pelas mobilizações, não bastam medidas de governo. Talvez tenha chegado a hora, como algumas pessoas têm sugerido, de divulgarmos uma nova “carta aos brasileiros e brasileiras”. Só que desta vez, uma carta em favor das reformas de base, das reformas estruturais.
Quanto a nossa ação de rua, devemos ter presença organizada e massiva nas manifestações que venham a ocorrer. Isto significa milhares de militantes de esquerda, com um adequado serviço de ordem, para proteger nossa militância dos para-militares da direita.
É preciso diferenciar as manifestações de massa das ações que a direita faz dentro dos atos de massa. E a depender da evolução da conjuntura, nos caberá convocar grandes atos próprios da esquerda político-social.


Independente da forma, o fundamental, como já dissemos, que a esquerda não perca a batalha pelas ruas.
Quanto a batalha da comunicação, novamente cabe ao governo um papel insubstituível. No atual estágio de mobilização e conflito, não basta contratacar a direitas nas redes sociais; é preciso enfrentar o que dizem os monopólios nas televisões e rádios. O governo precisa entender que sua postura frente ao tema precisa ser alterada já.
Em resumo: trata-se de combinar ruas e urnas, mudando a estratégia e a conduta geral do PT e da
esquerda.
Não há como deslocar a correlação de forças no país, sem luta social. A direita sabe disto tanto quanto nós. A direita quer ocupar as ruas. Não podemos permitir isto. E, ao mesmo tempo, não podemos deixar de mobilizar.
Se não tivermos êxito nesta operação, perderemos a batalha das ruas hoje e a das urnas ano que vem. Mas, se tivermos êxito, poderemos colher aquilo que o direitista Reinaldo Azevedo aponta como risco (para a direita) num texto divulgado recentemente por ele, cujo primeiro parágrafo afirma o seguinte: "o movimento que está nas ruas provocará uma reciclagem do PT pela esquerda, poderá tornar o resultado das urnas ainda mais inóspito para a direita".
Num resumo: a saída para esta situação existe. Pela esquerda.
Valter Pomar

sexta-feira, 7 de junho de 2013

LANÇAMENTO MUSICIAL

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Extra-malte
Extra-malte | O Guia de cervejas brasileiras
O Extra-malte de junho irá explorar os principais roteiros a serem percorridos para se encontrar uma boa cerveja. Para cumprir esta missão, conta com a presença de Henrique Oliveira, autor do livro “Brasil Beer, o Guia de cervejas brasileiras”. O livro busca informar quais são e onde estão as melhores cervejas feitas no Brasil, do Norte ao Sul. Para este detalhado guia, os autores mapearam e catalogaram praticamente todas as cervejarias, microcervejarias e associações de cervejeiros artesanais que atualmente existem no Brasil.
Henrique foi fundador da Associação de Cervejeiros Artesanais de Minas (ACervA Mineira) e especialista em cervejas. O livro estará à venda no StudioClio.
Durante o bate-papo haverá degustação de cervejas especiais harmonizadas com petiscos da Escola de Gastronomia Aires Scavone.

Cardápio
Entrada
Caldinho de Moqueca
Harmonização: Backer Capitão Senra (Belo Horizonte, MG)

Prato principal
Carreteiro de charque o origone
Harmonização: Farol ESB (Canela, RS)

Sobremesa:
Copinho de chocolate com café
Harmonização: Baden Baden Chocolate (Campos do Jordão, SP)
E, em primeira mão, degustação da Baden Baden Celebration Inverno 2013.
"É preciso amar as boas cervejas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há".
Renato Russo - adaptação

Dia 10 de junho, segunda-feira, às 20h
Valores R$50,00 (lugar em mesa) - ESGOTADO
R$40,00 (lugar na plateia)

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PLANO SAFRA 2013/2014


Exposição ilustra 10 anos do Plano Safra da Agricultura Familiar

Lutas e vitórias retratadas em fotografias. Durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2013/2014, na manhã desta quinta-feira (6), visitantes puderam conferir como os programas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) mudaram a vida de famílias da agricultura familiar de todo o Brasil. A exposição “Dez Anos do Plano Safra” mostra a história de dez agricultores que puderam melhorar suas produções na última década.

Nesse período a renda da agricultura familiar cresceu 52%, o que permitiu que mais de 3,7 milhões de pessoas ascendessem para a classe média. Juanice Boszcz, 25 anos, veio de Contenda (PR), para ver de perto sua história exposta no Palácio do Planalto. Ela conta que a experiência é emocionante. “A gente trabalha, trabalha e momentos como esses nos mostram que o resultado do nosso suor é gratificante. A exposição está real e belíssima”, classifica.

Na linha do tempo, a história do plano ganha vida com a ilustração de pessoas e produtos que constroem a agricultura familiar. A peça conta a evolução do plano detalhando o número de investimentos ano a ano. Ainda é possível conferir a criação dos programas que hoje fazem parte do conjunto de ações do ministério.

Romulo Correia Sacramento, 52, também veio de seu município, Cametá (PA), com sua esposa Lidiane Pacheco, 23, para ver a mostra. O agricultor conta que é gratificante ver que o ministério continua lutando pelos agricultores. “Há dez anos eu produzo açaí e há dez anos o MDA, por meio do Pronaf, me ajuda a melhorar minha renda, cada vez mais”, enfatiza.

A exposição ainda ofereceu um coquetel com produtos da agricultura familiar de produtores da região do Distrito Federal. Sucos de frutas, água de coco, pão de queijo, folheados e outros salgados, todos feitos com as mãos daqueles que produzem a maior parte dos alimentos consumidos no país.

DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO


Assentados na Bahia recuperam Reserva Legal e já comercializam 30 mil mudas por mês

Localizado no Litoral Sul baiano, no município de Arataca, a 505 quilômetros de Salvador, o assentamento Terra Vista é sinônimo de preservação ambiental. As 55 famílias que vivem na área de reforma agrária investem na produção de mudas de espécies da Mata Atlântica e, após as mudanças impostas pelo novo Código Florestal, passaram a comercializar uma média de 30 mil mudas mensalmente. O preço da unidade varia entre R$ 2 e R$ 15.
Segundo o coordenador da Cooperativa de Produção Agropecuária Construindo o Sul (Cooprasul), do Terra Vista, Joelson Ferreira de Oliveira, as mudas são comercializadas para empresas, cooperativas, associações e produtores rurais. "A demanda aumentou pelo fato da necessidade de readequação ambiental das propriedades rurais de acordo com o que exige o novo Código", explica.
O Terra Vista tem capacidade para produzir uma média de 150 mil mudas por mês. Trata-se de essências de madeira de lei, como Jacarandá, Ipê Amarelo, Pau-Brasil, Jatobá e Cedro, entre outras espécies arbóreas e frutíferas.
Oliveira explica que o trabalho com mudas vem sendo desenvolvido por jovens e mulheres. "Além de agregar renda para os jovens é uma maneira de estimulá-los a lidar com a terra e continuar sua vida no assentamento". Eles trabalham com viveiros e estufa (que acelera o processo de germinação das sementes) na preparação das mudas.
Meio ambiente
A preocupação com a natureza é constante entre as famílias do Terra Vista, tanto que a Reserva Legal é de 34% dos 913 hectares do assentamento. É na Reserva Legal que estão 400 matrizes fornecedoras de sementes para produção das mudas.
Desde o ano 2000, aproximadamente 100 mil mudas foram plantadas no Terra Vista. As famílias já recuperaram 90% da mata ciliar dos rios Aliança e Lontra que passam pelo local. Além disso, recuperaram o passivo ambiental que havia na área quando o assentamento foi criado em 1995.
No assentamento também funcionam dois centros educacionais que oferecem cursos do ensino fundamental, profissionalizantes e de nível superior com enfoque na agroecologia. "Ainda esse ano, devemos começar uma pós-graduação em Agroecologia", acrescenta Oliveira. As atividades educacionais no Terra Vista são em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e com o Governo do Estado.
Certificações Em 2012, o Terra Vista conquistou a certificação orgânica do Instituto Biodinâmico (IBD) para a produção cacaueira, cultura desenvolvida no assentamento. Os viveiros também são certificados e constam no cadastro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).
A área de reforma agrária possui 300 hectares de cacau orgânico e se prepara para entrar no nicho produtivo de cacau fino. Segundo Oliveira, o cacau fino necessita de cuidados especiais na colheita, na fermentação e na secagem. "Nós pretendemos produzir no assentamento chocolate gourmet", acrescenta Oliveira. Enquanto a arroba do cacau normal, de acordo com o coordenador, é, em média, R$ 75, a do cacau fino está em torno de R$ 150.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Notícias do Ministério de Desenvolvimento Agrário


http://www.mda.gov.br/resources/newsletter/boletim_multimidia/images/boletim_multimidia_topo_titulo.png
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http://www.mda.gov.br/portal/noticias/image/13103264
Empreendimentos da agricultura familiar orgânica, agroecológica e agroextrativista participam de oficina de planejamento comercial nesta quinta (16) e sexta-feira (17), em Curitiba (PR), na sede do Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD), parceiro do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para inserção de produtos familiares em grandes mercados. A atividade visa promover ações de comercialização para os empreendimentos acessarem mercados internos e externos de modo estratégico. 
“O MDA pretende dar um salto de qualidade nas relações que mantêm com os empreendimentos da agricultura familiar no segmento de orgânicos, agroecológicos e produtos da sociobiodiversidade”, destaca o diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor (Degrav) da Secretaria da Agricultura Familiar do MDA, Nilton Pinho de Bem, que participa da oficina. 
Nilton assinala que o MDA tem metas alinhadas com a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. “E temos de ir além da promoção comercial de maneira que tenhamos não apenas produtos de qualidade, mas também volume maior de produtos sendo comercializados e, isso quer dizer, um maior nível de inclusão produtiva e social”, completa o diretor. 
Durante a oficina, será apresentado um diagnóstico de cada empreendimento com suas peculiaridades e quais são os mercados com mais chances de fazer negócio, além de traçar um mapa estratégico para qualificar os empreendimentos, ou seja, definir o que precisa ser desenvolvido internamente para conquistar novos mercados. Na programação, há painéis do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) sobre a campanha Brasil Orgânico e Sustentável, o programa de Agroindústria e o acesso à rede varejista. 
No encontro, terá apresentações sobre os eventos em que os empreendimentos têm a oportunidade de mostrar seus produtos, conhecer compradores, fazer negócios e expandir a comercialização, como a feiras Biofach (maior feira de orgânicos do mundo) e Natural Tech, que ocorre em junho, em São Paulo Ao final da oficina, um levantamento das possibilidades de ações comuns entre os empreendimentos vai apontar consórcios comerciais entre eles. 
Projeto
A oficina é uma das iniciativas do Projeto de Fortalecimento da Agricultura Familiar Orgânica, Agroecológica e Agroextrativista. Ela faz parte das ações da chamada pública de 2011 onde o MDA selecionou o IPD para executar a chamada até 2014 e atender 31 empreendimentos. Todos eles foram convidados para participar do encontro. 
Um deles é a Cooperativa dos Agricultores Familiares do Território do Caparaó (Coofaci), do Espírito Santo. Os 200 agricultores familiares produzem café arábica cru para exportação e fazem o processamento para vender o café torrado e moído aos mercados nacionais, além de comercializar a produção de hortifrutigranjeiro pelo Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae). 
“O conceito da cooperativa é que nós, agricultores familiares, temos consciência de produzir produtos orgânicos e agroecológicos, porém a grande dificuldade é a comercialização. Então essa oficina é de grande importância porque vai possibilitar abrir oportunidades de mercado”, assinala o presidente da Coofaci, Paulo Márcio Reis Fernandes. 
Serviço
Evento: Oficina de Planejamento Comercial para os Empreendimentos da Agricultura Familiar Orgânica, Agroecológica e Agroextrativista - Apresentação do Diagnóstico e do Mapa Estratégico do Setor.
Data: 16 e 17 de maio.
Horário: das 8h às 17h30, no dia 16; e das 8h30 às 16h, no dia 17.
Local: Sede do IPD, Curitiba (PR).