terça-feira, 16 de julho de 2013
Contratada no governo FHC, Booz-Allen já operava como gabinete paralelo da comunidade da informação dos EUA
No portfólio da Booz-Allen, para quem atuava Edward Snowden, estão algumas das áreas em que a empresa atuou e que, a partir de agora, dadas as acusações de espionagem, estão sob suspeita. As "reformas governamentais" dos anos 1990 aparecem em destaque. A empresa orientou a reforma do sistema eleitoral do México e a privatização de empresas em diferentes países, incluindo os setores de bancos, energia, siderurgia e telecomunicações no Brasil.
• En el gobierno Cardoso, Booz-Allen ya operaba para los EE.UU. Empresa do espião Snowden foi consultora-mor do governo FHC
No governo Fernando Henrique Cardoso, a Booz-Allen, na qual trabalhava o espião Edward Snowden, foi responsável por consultorias estratégicas contratadas pela esfera federal. Incluem-se o "Brasil em Ação" (primeiro governo FHC) e o "Avança Brasil" (segundo governo), entre outras, como as dos programas de privatização (como saneamento) e a da reestruturação do sistema financeiro nacional. Só uma CPI no Congresso pode desvendar essa trama.
• Wikileaks revelam sabotagem contra Brasil tecnológico
• Wikileaks expõe diplomacia dos EUA e chamusca Jobim
• Empresa del espía Snowden fue consultora-mor del gobierno Cardoso
ALTERA A LEGISLAÇÃO DO ESTADO
15/07/2013 - DECRETO 50484/2013
Alteração no Regulamento do ICMS (RICMS)Alts. 4001 e 4002 - Lei nº 14.223/13 - Concedem isenção no fornecimento de energia elétrica e nas prestações de serviço de telecomunicação, destinadas a templos de qualquer culto religioso, desde que o imóvel, onde se realizam as atividades, seja de sua propriedade ou esteja na sua posse. (Lv. I, arts. 9º, CLXXXVII, e 10, XII)
(Publicado no D.O.E. de 15/07/13, pág. 2).
15/07/2013 - DECRETO 50483/2013
Alteração no Regulamento do ICMS (RICMS)Alt. 3997 - Conv. ICMS 123/12 - Ajuste técnico para acrescentar a expressão "Conteúdo de Importação". (Lv. I, art. 23, § 7º, e art. 32, "caput", nota 06)Alts. 3998 a 4000 - Promovem ajustes técnicos em dispositivos que tratam de:- isenção, nas operações com cimento asfáltico de petróleo; (Lv. I, art. 9º, CXXXVII)- hipótese de não aplicação da substituição tributária em operações internas com carnes e demais produtos comestíveis resultantes do abate de aves e suínos; (Lv. III, art. 9º, I, nota 01, "g")- substituição tributária, nas operações com máquinas e aparelhos mecânicos, elétricos, eletromecânicos e automáticos. (Lv. III, art. 244)
(Publicado no D.O.E. de 15/07/13, pág. 1).
15/07/2013 - INSTRUÇÃO NORMATIVA 058/2013
ALTERAÇÃO NA INSTRUÇÃO NORMATIVA DRP Nº 45/98:1. Define o dia 31 de agosto como a data do evento "McDia Feliz" para o ano de 2013 e altera parcialmente a relação das instituições que serão beneficiadas pela doação da renda proveniente das vendas do sanduíche "Big Mac", da Rede McDonald"s. (Tít. I, Cap. I, 19.1, "caput", "c" e "f") (Publicado no D.O.E. de 15/07/13, pág. 15)
segunda-feira, 8 de julho de 2013
ELEITOS NOVOS CONSELHEIROS TUTELARES
Aconteceu hoje das 8:00h às 12:00 em todas seções eleitorais do Município de Dilermando de Aguiar, a eleição para o Conselho Tutelar, onde que quatro das cinco conselheiras concorreram a reeleição, sendo que houve uma renovação de 80%, sendo eleitos os seguintes candidatos:
- Angela Raquel de Lima Lahute(reeleição);
- Tiéle Martins da Rocha;
- Edivane da Costa Garcez;
- Ronaldo Rodrigues Pinheiro; e
- Rogério Rodrigues Leiva.
Com exceção de Ronaldo que é da localidade de Rincão do Pinheiro, os demais candidatos eleitos são da Sede do Município.
Sendo que ainda concorriam e ficaram na suplência:
- Andréia Maria Estivalet Capisani Braga.
- Regina Teixeira Maiolli;
- Daniela da Rocha Hopt; e
- Adelina Kristen Hoffmann.
Uma boa gestão aos Conselheiros Eleitos!
- Angela Raquel de Lima Lahute(reeleição);
- Tiéle Martins da Rocha;
- Edivane da Costa Garcez;
- Ronaldo Rodrigues Pinheiro; e
- Rogério Rodrigues Leiva.
Com exceção de Ronaldo que é da localidade de Rincão do Pinheiro, os demais candidatos eleitos são da Sede do Município.
Sendo que ainda concorriam e ficaram na suplência:
- Andréia Maria Estivalet Capisani Braga.
- Regina Teixeira Maiolli;
- Daniela da Rocha Hopt; e
- Adelina Kristen Hoffmann.
Uma boa gestão aos Conselheiros Eleitos!
quinta-feira, 4 de julho de 2013
A hora da reforma é agora, por Henrique Fontana
O debate sobre a necessidade de uma reforma política está na agenda pública de nosso país há pelo menos 18 anos. Portanto, estamos autorizados a acreditar que há muita razoabilidade e equilíbrio na proposta de um plebiscito apresentada pela presidenta Dilma para sair desta paralisia. Como representante do Partido dos Trabalhadores na comissão que vai elaborar as perguntas que a população deverá responder, creio que entre os principais pontos que podem promover uma mudança estrutural no atual sistema político brasileiro está o modelo de financiamento das campanhas.
Diferentemente da opinião expressa no editorial de Zero Hora do dia 3 de julho, penso que há um entendimento majoritário da sociedade pelo fim da contribuição de empresas para campanhas eleitorais. E esta é também a minha opinião. O financiamento público das campanhas é uma necessidade fundamental para democratizar o nosso processo político. O modelo atual origina distorções importantes na representação política, facilita a ação do poder econômico e cria injustiças em um processo de competição que deveria ser baseado em regras equânimes.
É claro que é possível fazer campanhas no sistema atual de maneira digna e honrada, como sugere o texto de Zero Hora, mas o financiamento privado, especialmente quando feito por empresas, mesmo de forma transparente, mantém acesa a chama da suspeita de que a fatura será cobrada e os interesses privados se sobreporão ao interesse público.
Mas esta questão será colocada, agora, para a população decidir. As perguntas objetivas no plebiscito devem se referir aos pontos mais polêmicos da reforma, como financiamento de campanha, fim das coligações e coincidência das eleições. Para contribuir com o debate, estou sugerindo três perguntas relacionadas ao modelo de financiamento que, na minha opinião, é o que temos de mais perverso em nosso sistema político. 1) Você concorda que empresas façam doações para campanhas eleitorais? 2) Você concorda que pessoas físicas façam doações para campanhas eleitorais? 3) Você concorda que a lei estabeleça um limite de gastos igual para todos os candidatos que disputam um mesmo cargo?
Melhorar o sistema político é uma resposta a várias das reivindicações que estão sendo levantadas nas manifestações populares. A política é nossa principal ferramenta de transformação social e não pode permanecer como está, perdendo progressivamente a sua credibilidade e com os partidos se diluindo no processo onde cada vez mais o que vale é a força do poder econômico e cada vez menos a disputa das ideias, dos projetos e da história de vida dos candidatos.
Queremos uma reforma que incida sobre os principais problemas do sistema político brasileiro, melhorando os instrumentos da representação política, consolidando e ampliando o processo democrático e a participação da população. A hora da reforma é agora, e todos os caminhos que levem a ela – plebiscito, referendo ou a votação dos projetos que tramitam no Congresso – devem se somar.
Diferentemente da opinião expressa no editorial de Zero Hora do dia 3 de julho, penso que há um entendimento majoritário da sociedade pelo fim da contribuição de empresas para campanhas eleitorais. E esta é também a minha opinião. O financiamento público das campanhas é uma necessidade fundamental para democratizar o nosso processo político. O modelo atual origina distorções importantes na representação política, facilita a ação do poder econômico e cria injustiças em um processo de competição que deveria ser baseado em regras equânimes.
É claro que é possível fazer campanhas no sistema atual de maneira digna e honrada, como sugere o texto de Zero Hora, mas o financiamento privado, especialmente quando feito por empresas, mesmo de forma transparente, mantém acesa a chama da suspeita de que a fatura será cobrada e os interesses privados se sobreporão ao interesse público.
Mas esta questão será colocada, agora, para a população decidir. As perguntas objetivas no plebiscito devem se referir aos pontos mais polêmicos da reforma, como financiamento de campanha, fim das coligações e coincidência das eleições. Para contribuir com o debate, estou sugerindo três perguntas relacionadas ao modelo de financiamento que, na minha opinião, é o que temos de mais perverso em nosso sistema político. 1) Você concorda que empresas façam doações para campanhas eleitorais? 2) Você concorda que pessoas físicas façam doações para campanhas eleitorais? 3) Você concorda que a lei estabeleça um limite de gastos igual para todos os candidatos que disputam um mesmo cargo?
Melhorar o sistema político é uma resposta a várias das reivindicações que estão sendo levantadas nas manifestações populares. A política é nossa principal ferramenta de transformação social e não pode permanecer como está, perdendo progressivamente a sua credibilidade e com os partidos se diluindo no processo onde cada vez mais o que vale é a força do poder econômico e cada vez menos a disputa das ideias, dos projetos e da história de vida dos candidatos.
Queremos uma reforma que incida sobre os principais problemas do sistema político brasileiro, melhorando os instrumentos da representação política, consolidando e ampliando o processo democrático e a participação da população. A hora da reforma é agora, e todos os caminhos que levem a ela – plebiscito, referendo ou a votação dos projetos que tramitam no Congresso – devem se somar.
Artigo publicado no jornal Zero Hora do dia 4 de julho de 2013
BURMANN É O NOVO REITOR DA UFSM
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Chapa 1 - Burmann e Bayard vencem a consulta para reitor e vice-reitor
RESULTADO DA APURAÇÃO DA CONSULTA PARA REITOR E VICE-REITOR DA UFSM - 2013
Chapa 1 - Burmann e Bayard vencem a consulta para reitor e vice-reitor
ESTUDANTES - 9272 votantes
Chapa 1 - 49,75%
Chapa 2 - 27,01%
Chapa 3 - 21,71%
TÉCNICO ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO (ativos e aposentados) - 2554 votantes
Chapa 1 - 55,46%
Chapa 2 - 27,34%
Chapa 3 - 14,38%
DOCENTES (ativos e aposentados) - 1877 votantes
Chapa 1 - 35,22%
Chapa 2 - 44,65%
Chapa 3 - 18,06%
RESULTADO FINAL GERAL:
Chapa 1 - 46,80%
Chapa 2 - 35,30%
Chapa 3 - 17,90%
A partir de agora foi aberto o período de 48h para recursos.
O resultado oficial da consulta será anunciado no dia 08 de julho.
Chapa 1 - Burmann e Bayard vencem a consulta para reitor e vice-reitor
ESTUDANTES - 9272 votantes
Chapa 1 - 49,75%
Chapa 2 - 27,01%
Chapa 3 - 21,71%
TÉCNICO ADMINISTRATIVOS EM EDUCAÇÃO (ativos e aposentados) - 2554 votantes
Chapa 1 - 55,46%
Chapa 2 - 27,34%
Chapa 3 - 14,38%
DOCENTES (ativos e aposentados) - 1877 votantes
Chapa 1 - 35,22%
Chapa 2 - 44,65%
Chapa 3 - 18,06%
RESULTADO FINAL GERAL:
Chapa 1 - 46,80%
Chapa 2 - 35,30%
Chapa 3 - 17,90%
A partir de agora foi aberto o período de 48h para recursos.
O resultado oficial da consulta será anunciado no dia 08 de julho.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
DECRETO DO PROGRAMA PRÓ-COOPERAÇÃO E FUNDO DE INCENTIVO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Gabinete de Consultoria Legislativa
DECRETO Nº 50.124, DE 04 DE MARÇO DE 2013.
(publicado no DOE n.º 044, de 06 de março de 2013)
Regulamenta o Programa Pró-Cooperação e o Fundo de Incentivo às Cooperativas Agropecuárias - Fundo Cooperar, instituídos pela Lei nº 14.124, de 1º de novembro de 2012.
O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 82, incisos V e VII, da Constituição do Estado,
D E C R E T A:
Art. 1º Fica regulamentado o Programa Pró-Cooperação e o Fundo de Incentivo às Cooperativas Agropecuárias - Fundo Cooperar, instituídos pela Lei nº 14.124, de 1º de novembro DE 2012.
Art. 2º São beneficiárias do Programa Pró-Cooperação e do Fundo Cooperar as cooperativas de produção agropecuária, agroindustriais, aquícolas e pesqueiras e suas respectivas centrais, doravante denominadas Cooperativas Agropecuárias, devidamente inscritas no Cadastro Geral de Contribuintes de Tributos Estaduais – CGC/TE.
CAPÍTULO I
DO PROGRAMA PRÓ-COOPERAÇÃO
Art. 3º O Programa Pró-Cooperação tem por objetivo apoiar, mediante concessão de incentivo fiscal, cooperativas agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul que apresentem incremento na arrecadação do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação – ICMS.
Art. 5º Para pleitear o benefício fiscal do Programa Pró-Cooperação, a cooperativa deve formalizar Termo de Adesão ao Programa, junto à Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo - SDR.
Art. 6º A Cooperativa Agropecuária beneficiária deverá submeter-se à Política de Acompanhamento da Gestão Cooperativa – PAG-RS, prevista na Lei nº 13.839, de 5 de dezembro de 2011, que institui a Política Estadual de Fomento à Economia da Cooperação, cria o Programa de Cooperativismo, o Pro-grama de Economia Popular e Solidária, o Programa
Estadual de Fortalecimento das Cadeias e Arranjos Produtivos Locais, o Programa Gaúcho de Microcré-dito e o Programa de Redes de Cooperação.
http://www.al.rs.gov.br/legis
Art. 7º O Programa Pró-Cooperação poderá ser aplicado em investimento nas seguintes áreas:
I – formação e qualificação de associados e colaboradores;
II – assistência técnica;
III – inovação tecnológica;
IV – qualificação da gestão; e
V – agroecologia, no mínimo no percentual de 6% (seis por cento), conforme previsto
§ 1º Compreende-se por projeto agroecológico, aquele que contemple ações para promover a diversificação produtiva dos sistemas agrícolas familiares com base em tecnologias e práticas agroecoló-gicas e sustentáveis, a progressiva transição para sistemas de produção de base na lei.
ecológica dos distintos sistemas produtivos agropecuários, por meio da disponibilização de um instrumental técnico, formativo, produtivo e organizacional aos técnicos e aos agricultores familiares.
§ 2º A cooperativa deverá comprovar junto à SDR a utilização dos recursos por meio de relatório de exe-cução das atividades, até o prazo de três meses, após a finalização do projeto.
Art. 8º O Programa Pró-Cooperação será regido pelo Comitê Gestor do Programa de Cooperativismo, que terá as seguintes atribuições:
I - estabelecer os critérios complementares de enquadramento no Programa Pró-Cooperação;
II - estabelecer o regramento para acesso aos recursos do Fundo Cooperar;
III - analisar os projetos de aplicação dos recursos da cooperativa disponíveis no Fundo
Cooperar, conforme o enquadramento pré-estabelecido;
IV – administrar os recursos do Fundo Cooperar;
V – fiscalizar a execução dos projetos; e
VI – estabelecer demais normas do Programa.
CAPÍTULO II
DO FUNDO COOPERAR
Art. 9º O Fundo de Incentivo às Cooperativas Agropecuárias – Fundo Cooperar, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, conforme disposto na Lei nº 14.124, de 1º de novem-bro de 2012, tem como finalidade retornar recursos referentes
ao Programa Pró-Cooperação para as Cooperativas Agropecuárias investirem nos seus associados, de acordo com o projeto.
§ 1º O Fundo Cooperar será administrado pelo Comitê Gestor do Programa de Cooperativismo, com o objetivo de analisar os projetos protocolados na referida Secretaria e aprovar o enquadramento no Programa Pró-Cooperação.
§ 2º Os recursos do Fundo Cooperar serão depositados em conta corrente específica no Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A – BANRISUL, que atuará na gestão e na operacionalização do Fundo, ficando obrigado a apresentar ao Comitê Gestor e ao Órgão de Controle Interno do Estado os demonstrativos mensais do Fundo.
http://www.al.rs.gov.br/legis 2
§ 3º Os valores depositados pelas Cooperativas Agropecuárias no Fundo Cooperar
serão nominais e resgatáveis.
Art. 10. Constituem receitas do Fundo Cooperar:
I - recursos provenientes de dotações orçamentárias do Estado;
II - recursos financeiros oriundos da União, dos Estados, dos Municípios e de órgãos e
de entidades públicas, recebidos diretamente ou por meio de convênios;
III - recursos provenientes de ajustes celebrados com instituições públicas ou privadas,
nacionais ou estrangeiras;
IV - contribuições, auxílios, subvenções e doações recebidas de pessoas físicas ou
jurídicas de direito público ou privado;
V - contribuição das Cooperativas Agropecuárias nos termos da Lei nº 14.124/2012;
VI - recursos financeiros oriundos de organismos internacionais de cooperação, recebidos diretamente ou por meio de convênios;
VII - valores recebidos a título de juros, atualização monetária e outros eventuais rendimentos prove-nientes de operações financeiras realizadas com recursos do Fundo, na forma da legislação específica;
VIII - saldo positivo do Fundo referente a exercícios anteriores; e
IX - outros recursos a ele destinados.
Art. 11. Das receitas do Fundo Cooperar, 40% (quarenta por cento) serão destinadas ao Fundo de Aval para Cooperativas Agropecuárias, instituído pela Lei nº 13.863, de 28 de dezembro de 2011, e 6% (seis por cento) serão destinadas a projetos de desenvolvimento da
Art. 12. Os valores depositados pelas Cooperativas Agropecuárias no Fundo Cooperar poderão ser res-gatados anualmente, após período mínimo de doze meses, a contar da adesão ao Programa, mediante a elaboração de projeto técnico.
CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 13. A Cooperativa para habilitar-se ao Programa Pró-Cooperação deverá enviar o projeto técnico para análise do Comitê Gestor do Programa de Cooperativismo, o qual deliberará quanto aos critérios e objetivos para análise dos projetos.
Art. 14. A Cooperativa Agropecuária beneficiária do Programa Pró-Cooperação terá acesso ao Fundo Cooperar em montante equivalente a 60% (sessenta por cento) do que contribuiu, para aplicação em projetos voltados a seus associados, conforme este Regulamento.
Parágrafo único. Em caso de desistência ou não encaminhamento de projetos de desenvolvimento da agroecologia, no prazo de vinte e quatro meses da adesão ao Programa, os recursos do Fundo Coo-perar poderão ser destinados a outra Cooperativa Agropecuária participante do Programa Pró-Coo-peração que apresentar projeto de agroecologia, desde que este seja aprovado pelo Comitê Gestor do Programa de Cooperativismo.
http://www.al.rs.gov.br/legis 3
Art. 15. O descumprimento de condições estabelecidas no Programa Pró-Cooperação acarretará o can-celamento da fruição do benefício, ficando a cooperativa obrigada a recolher o imposto devido ao Tesouro do Estado.
Art. 16. Com fundamento na Lei nº 14.124/2012, fica introduzida a seguinte alteração no Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 37.699, de 26 de agosto de 1997:
ALTERAÇÃO Nº 0001 - No art. 32 do Livro I, fica acrescentado o inciso CXLIII com a seguinte reda-ção:
"CXLIII - a partir de 1º de fevereiro de 2013, aos estabelecimentos de cooperativas de produção agropecuária, agroindustriais, aquícolas e pesqueiras e suas respectivas centrais, beneficiárias do Programa Pró-Cooperação, instituído pela Lei nº 14.124, de 01/11/12, no valor pago a título de contribuição ao Fun-do de Incentivo às Cooperativas Agropecuárias - Fundo Cooperar, criado pela referida Lei, limitado a 75% (setenta e cinco por cento) do incremento real do ICMS gerado pelas atividades industriais dos esta-belecimentos beneficiados.
NOTA 01 - A apropriação deste crédito fiscal não está sujeita à limitação prevista na nota 02 do "caput" deste artigo.
NOTA 02 - Este crédito fiscal fica condicionado:
a) à celebração de Termo de Ajuste com a Receita Estadual;
b) ao recolhimento do ICMS declarado em GIA, referente ao mês de apuração, no prazo legal.
NOTA 03 - Para fins de apuração deste crédito fiscal:
a) o valor do ICMS gerado pelas atividades industriais consiste no montante de débitos de ICMS decorrentes das atividades industriais do estabelecimento, deduzido dos créditos de ICMS correspondentes, obedecidos os critérios fixados no Termo de Ajuste referido na nota 02, "a";
b) o valor do incremento real consiste no incremento primário deduzido do montante residual, sendo que:
1 - o incremento primário é a diferença entre o valor do ICMS gerado pelas atividades industriais do estabelecimento no mês de apuração e o valor do ICMS base;
2 - o ICMS base é a média mensal do ICMS gerado pelas atividades industriais do estabelecimento no ano civil imediatamente anterior, atualizada monetariamente, definida no Termo de Ajuste referido na nota 02, "a";
3 - o montante residual é o saldo negativo verificado no cálculo do valor do incremento real do mês imediatamente anterior ao da apuração, pertencente ao mesmo ano civil, e será acumulado até a sua compensação ou o encerramento do ano civil;
4 - a transferência do montante residual para o ano civil posterior obedecerá ao previsto no Termo de Ajuste referido na nota 02, "a"."
Art. 17. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1º de feverei-ro de 2013.
PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 4 de março de 2013.
FIM DO DOCUMENTO
http://www.al.rs.gov.br/legis 4
terça-feira, 2 de julho de 2013
ELEIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR
Acontece dia 08/07/2013(segunda-feira) a eleição para cinco vagas de conselheiro tutelar em Dilermando de Aguiar, com nove candidatos inscritos. Todos que possuirem titulo eleitoral pode votar das 8:00 às 12:00horas. Diferente de Santa Maria, Dilermando de Aguiar tem eleição direta para Conselheiro Tutelar. É a democracia falando mais alto.Que os escolhidos sejam pessoas que conhecam o ECA e que tenham condições para exercer uma função tão importante para as políticas dos jovens e adolescentes.
Fauna gaúcha tem 11 espécies extintas e 274 ameaçadas
Entrevista especial com Glayson Bencke
“Embora o aumento das espécies em extinção tenha sido baixo, as elas mudaram mais do que implica esse ligeiro acréscimo. Então, quer dizer que mais espécies saíram da lista, deixaram de ser consideradas ameaçadas e outras entraram em seu lugar”, aponta o pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN/FZB).
Confira a entrevista.
A revisão da lista das espécies da fauna gaúcha em extinção, elabora em 2002, está sendo revisada e estará disponível para consulta pública a partir desta segunda (1-07-2013). 129 pesquisadores identificaram, onze anos depois, 274 espécies em extinção no Rio Grande do Sul, sendo 11 regionalmente extintas. De acordo com Glayson Bencke, foram avaliadas mais de 1580 espécies de mamíferos, repteis, anfíbios, e peixes de água doce do estado, além de um conjunto de espécies de invertebrados, como aranhas, moluscos.
Apesar de ser impossível comparar os dados apontados nas duas listas por conta dos critérios de estudo adotados em cada uma, Bencke adianta que já “é possível perceber o número de espécies dos campos do Rio Grande do Sul que entraram na lista atual em comparação com a elaborada em 2002”. Segundo ele, “as espécies campestres estão em extinção, porque os pampas e os campos de cima da serra sofreram uma redução significativa nos últimos oito e 15 anos, respectivamente, com a expansão da soja e da silvicultura, além de problemas oriundos de espécies exóticas”.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ele informa que os grupos de espécies florestais, “especialmente das florestas de planícies das terras baixas do litoral norte, das florestas do alto Uruguai e do planalto, que são mais degradadas, despontam como as que sustentam espécies em situação mais crítica. Nós podemos citar o norte do estado, com o Parque Estadual do Turvo, e outras poucas áreas no entorno, onde existem a anta, a onça pintada, o porco-queixada, o viado-materi, e outras espécies praticamente restritas a essas poucas grandes manchas do norte”.
Bencke é graduado em Zoologia, pela Unisinos, e pós-graduado na mesma área, pela UNESP de Rio Claro, São Paulo. Especialista em aves, ele atua como pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quantas espécies estão na lista da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul?
Glayson Bencke – A lista atual foi elaborada em 2002 e está em vigor hoje, com 261 espécies. Essa lista está sendo revisada, e a principal etapa já está concluída, que diz respeito à avaliação do estado de conservação das espécies da fauna estadual, por um grupo de 129 especialistas de 40 instituições, os quais usaram critérios de avaliação internacionais. Eles concluíram que existem 274 espécies enquadradas como ameaçadas, mas 11 como regionalmente extintas. A próxima etapa é a consulta pública, onde esse resultado será apresentado à sociedade para colher informações que possam refinar os dados com alguma informação importante.
IHU On-Line – Quais os critérios utilizados para analisar as espécies em extinção? Pode nos falar do processo de identificação dessas espécies? Quais são as razões para tantas espécies estarem em extinção?
Glayson Bencke – Foram utilizados critérios internacionais que levam em conta os limites de populações de distribuição geográfica e taxas de declínio, ou seja, de redução da população. Se as espécies se enquadram nessas categorias, estão ameaçadas. Existem três categorias de ameaça: a vulnerável, que está ameaçada de extinção, mas numa situação menos nítida; depois tem o estágio intermediário; e o estágio mais crítico. As espécies são enquadradas nessas categorias com base em dados quantitativos associados a dados qualitativos, que refletem o tamanho da população delas, a área de ocupação que ocupam no estado, e a taxa de declínio. Esses dados são diretos, baseados na contagem e na observação dos animais, e indiretos, com base nas capturas, como acontece no caso dos peixes. Hoje também temos monitoramento por satélite dos ecossistemas do estado, tanto os florestais quanto os campestres, que nos dão uma boa ideia de como as populações de animais vivem em campos, banhados ou florestas. Foram avaliadas mais de 1580 espécies, representando mamíferos, répteis, anfíbios e peixes de água doce do estado, mais um conjunto de espécies de invertebrados, como aranhas, moluscos.
IHU On-Line – Na versão da lista elaborada em 2002, foram indicadas 261 espécies em extinção. O número aumentou para 274. Qual o significado dessa mudança num período de 10 anos?
Glayson Bencke – É difícil comparar diretamente as duas listas, porque o critério que se utilizou hoje é completamente diferente do anterior. Em 2002, não se tinha um avanço tão grande na construção de critérios de avaliação. O trabalho de 2002 foi feito com o melhor material que existia à época, mas hoje existem critérios mais precisos, que permitem uma acurácia maior e, portanto, temos um resultado mais confiável no sentido de ter menos incertezas acerca das espécies que estão ameaçadas.
A mudança do critério de avaliação explica, em grande parte, a mudança de alteração no número. Além disso, hoje temos mais especialistas e mais informações sobre a fauna gaúcha, o que nos permitiu avaliar muito mais espécies do que foi possível avaliar em 2002. A lista de 2002 foi elaborada com a participação de 42 especialistas, mais 120 colaboradores, enquanto a lista atual envolveu 129 especialistas e 146 colaboradores. Foi um processo representativo e participativo e isso torna difícil comparar os dados com o resultado anterior. Acreditamos que daqui para frente será possível analisar os dados com mais precisão.
De qualquer maneira, já é possível perceber o número de espécies dos campos do Rio Grande do Sul que entraram na lista atual em comparação com a elaborada em 2002. As espécies campestres estão em extinção, porque os pampas e os campos de cima da serra sofreram uma redução significativa nos últimos oito e 15 anos, respectivamente, com a expansão da soja e da silvicultura, além de problemas oriundos de espécies exóticas.
IHU On-Line – O avanço da silvicultura no Estado contribui para a extinção de algumas espécies?
Glayson Bencke – Contribuiu no sentido de eliminar o habitat das espécies que dependem do campo. A expansão ocorre nas regiões campestres, assim como a agricultura eliminou os ambientes florestais há décadas com a expansão do trigo. É um processo que se repete com as paisagens campestres, e isso preocupa porque se percebe o declínio de espécies por conta dos monocultivos. Também destaco a situação crítica de algumas espécies de peixes ao longo da costa do Rio Grande do Sul, que chegam a limites inaceitáveis, como as populações de peixes que foram levadas a zero por uma sobrepesca, chegando à beira de extinção, como os pequenos tubarões.
IHU On-Line – Como esse dado é comparado com outros estados do país?
Glayson Bencke – As avaliações por estado não são simultâneas. Então, não existe como comparar qual seria o número de espécies ameaçadas, hoje, em outros estados. Por exemplo, a lista do Rio de Janeiro está recém sendo atualizada, e a lista anterior, se não estou enganado, é de 1998 ou 1995. A lista de São Paulo foi atualizada em 2008, e a de Santa Catarina saiu no ano passado. Então, os estados estão em momentos diferentes, o que dificulta um pouco a comparação.
É importante frisar que temos a lista nacional, elaborada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, e as listas regionais, que são complementares. Uma espécie pode estar bem em outros estados, mas em extinção em outro. E se está desaparecendo num estado, no futuro pode vir a desaparecer em outros. A propósito, a lista nacional também está sendo revisada. As últimas listas são de 2003 e de 2004: a de 2003 envolvendo organismos terrestres, e a de 2004 envolvendo organismos marinhos, aquáticos.
Esse processo é longo, porque envolve muitos grupos, muitos especialistas, são realizadas oficinas para cada grupo. Então, realmente é um processo lento.
IHU On-Line – Em que regiões do estado a fauna está mais ameaçada?
Glayson Bencke – Para responder a essa questão, precisaria fazer um balanço pela distribuição das espécies. Sabemos que 22% das espécies de mamíferos no estado estão ameaçadas. Quer dizer, uma em cada quatro ou cinco espécies de mamíferos está ameaçada. As aves são 14%, aproximadamente uma em cada seis espécies. Répteis são 11%, uma em cada dez espécies ameaçadas. Anfíbios são 15%; esse é um grupo que subiu bastante em relação à lista anterior. Em 2002 contabilizamos uns dez anfíbios, e agora estamos com 16, houve um aumento de 60%. Houve um aumento da extinção de peixes também; passou de 28 espécies em extinção para 69.
Os grupos de espécies florestais, especialmente das florestas de planícies das terras baixas do litoral norte, das florestas do alto Uruguai e do planalto, que são mais degradadas, despontam como as que sustentam espécies em situação mais crítica. Nós podemos citar o norte do estado, com o Parque Estadual do Turvo, e outras poucas áreas no entorno, onde existem a anta, a onça pintada, o porco-queixada, e outras espécies praticamente restritas a essas poucas grandes manchas do norte. E aí, como eu frisava antes, embora se tenha menos diversidade e menos riqueza de espécies nos campos, proporcionalmente as espécies de campo estão bem representadas, infelizmente, na nova lista que está para ser chancelada e concluída.
Então, muitas espécies de peixes anuais, que são pequenos peixes que habitam poças temporárias no meio do campo, nas margens dos rios, abrigam várias espécies ameaçadas, mais de duas dezenas. Várias aves campestres também se enquadram como ameaçadas, pela perda do hábitat, algumas também por efeito de captura.
IHU On-Line – Houve alguma surpresa durante a realização da pesquisa?
Glayson Bencke – Embora o aumento das espécies em extinção tenha sido baixo, as espécies mudaram mais do que implica esse ligeiro acréscimo. Então, quer dizer que mais espécies saíram da lista, deixaram de ser consideradas ameaçadas e outras entraram em seu lugar. Para citar um exemplo, partimos de 28 espécies de peixes para 69 espécies ameaçadas na nova avaliação. Então, aí já se vê que entraram muitas espécies que antes não eram consideradas ameaçadas. Em contrapartida, o número de aves, possivelmente por causa do critério mais preciso que permite avaliar com mais acurácia aquela espécie que está no limite entre ameaçada ou não, o número de espécies de aves reduziu de 118 para 91. E isso, infelizmente, não representa, pelo menos nesse momento, uma melhora nas condições do ambiente, o que poderia se esperar a partir desses números, mas, sim, o uso de um critério mais preciso de que a tendência é se manter a longo prazo o uso desse mesmo critério, e aí vai tornar mais comparável.
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Glayson Bencke – Só gostaria de acrescentar que esse trabalho foi conduzido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, coordenado pela Fundação Zoobotânica, mas a avaliação das espécies foi feita, na verdade, por um grande conjunto de especialistas que trabalharam voluntariamente na avaliação do estado de conservação da espécie. Colocaram, então, seu conhecimento, expertise à disposição do Rio Grande do Sul para avaliar o estado de conservação das espécies.
O sistema foi operado via internet, desenvolvido conjuntamente pela Fundação Zoobotânica e pela Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – PROCERGS, e o sistema livre foi operado pela internet, permitindo com que mais pessoas fossem integradas ao processo e trabalhassem remotamente, dos seus escritórios, das suas salas de trabalho, das suas casas. Então, teve-se um alcanço maior a esses especialistas, com um custo muito mais baixo, e com melhora na documentação. Hoje temos todas as informações mantidas com base de dados na internet, de fácil acesso e com segurança, graças a esse investimento e essa inovação tecnológica.
Confira a entrevista.
| Foto de www.klimanaturali.org |
Apesar de ser impossível comparar os dados apontados nas duas listas por conta dos critérios de estudo adotados em cada uma, Bencke adianta que já “é possível perceber o número de espécies dos campos do Rio Grande do Sul que entraram na lista atual em comparação com a elaborada em 2002”. Segundo ele, “as espécies campestres estão em extinção, porque os pampas e os campos de cima da serra sofreram uma redução significativa nos últimos oito e 15 anos, respectivamente, com a expansão da soja e da silvicultura, além de problemas oriundos de espécies exóticas”.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ele informa que os grupos de espécies florestais, “especialmente das florestas de planícies das terras baixas do litoral norte, das florestas do alto Uruguai e do planalto, que são mais degradadas, despontam como as que sustentam espécies em situação mais crítica. Nós podemos citar o norte do estado, com o Parque Estadual do Turvo, e outras poucas áreas no entorno, onde existem a anta, a onça pintada, o porco-queixada, o viado-materi, e outras espécies praticamente restritas a essas poucas grandes manchas do norte”.
Bencke é graduado em Zoologia, pela Unisinos, e pós-graduado na mesma área, pela UNESP de Rio Claro, São Paulo. Especialista em aves, ele atua como pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
Confira a entrevista.
| Foto de www.dallari.com.br |
Glayson Bencke – A lista atual foi elaborada em 2002 e está em vigor hoje, com 261 espécies. Essa lista está sendo revisada, e a principal etapa já está concluída, que diz respeito à avaliação do estado de conservação das espécies da fauna estadual, por um grupo de 129 especialistas de 40 instituições, os quais usaram critérios de avaliação internacionais. Eles concluíram que existem 274 espécies enquadradas como ameaçadas, mas 11 como regionalmente extintas. A próxima etapa é a consulta pública, onde esse resultado será apresentado à sociedade para colher informações que possam refinar os dados com alguma informação importante.
IHU On-Line – Quais os critérios utilizados para analisar as espécies em extinção? Pode nos falar do processo de identificação dessas espécies? Quais são as razões para tantas espécies estarem em extinção?
Glayson Bencke – Foram utilizados critérios internacionais que levam em conta os limites de populações de distribuição geográfica e taxas de declínio, ou seja, de redução da população. Se as espécies se enquadram nessas categorias, estão ameaçadas. Existem três categorias de ameaça: a vulnerável, que está ameaçada de extinção, mas numa situação menos nítida; depois tem o estágio intermediário; e o estágio mais crítico. As espécies são enquadradas nessas categorias com base em dados quantitativos associados a dados qualitativos, que refletem o tamanho da população delas, a área de ocupação que ocupam no estado, e a taxa de declínio. Esses dados são diretos, baseados na contagem e na observação dos animais, e indiretos, com base nas capturas, como acontece no caso dos peixes. Hoje também temos monitoramento por satélite dos ecossistemas do estado, tanto os florestais quanto os campestres, que nos dão uma boa ideia de como as populações de animais vivem em campos, banhados ou florestas. Foram avaliadas mais de 1580 espécies, representando mamíferos, répteis, anfíbios e peixes de água doce do estado, mais um conjunto de espécies de invertebrados, como aranhas, moluscos.
IHU On-Line – Na versão da lista elaborada em 2002, foram indicadas 261 espécies em extinção. O número aumentou para 274. Qual o significado dessa mudança num período de 10 anos?
Glayson Bencke – É difícil comparar diretamente as duas listas, porque o critério que se utilizou hoje é completamente diferente do anterior. Em 2002, não se tinha um avanço tão grande na construção de critérios de avaliação. O trabalho de 2002 foi feito com o melhor material que existia à época, mas hoje existem critérios mais precisos, que permitem uma acurácia maior e, portanto, temos um resultado mais confiável no sentido de ter menos incertezas acerca das espécies que estão ameaçadas.
A mudança do critério de avaliação explica, em grande parte, a mudança de alteração no número. Além disso, hoje temos mais especialistas e mais informações sobre a fauna gaúcha, o que nos permitiu avaliar muito mais espécies do que foi possível avaliar em 2002. A lista de 2002 foi elaborada com a participação de 42 especialistas, mais 120 colaboradores, enquanto a lista atual envolveu 129 especialistas e 146 colaboradores. Foi um processo representativo e participativo e isso torna difícil comparar os dados com o resultado anterior. Acreditamos que daqui para frente será possível analisar os dados com mais precisão.
De qualquer maneira, já é possível perceber o número de espécies dos campos do Rio Grande do Sul que entraram na lista atual em comparação com a elaborada em 2002. As espécies campestres estão em extinção, porque os pampas e os campos de cima da serra sofreram uma redução significativa nos últimos oito e 15 anos, respectivamente, com a expansão da soja e da silvicultura, além de problemas oriundos de espécies exóticas.
IHU On-Line – O avanço da silvicultura no Estado contribui para a extinção de algumas espécies?
Glayson Bencke – Contribuiu no sentido de eliminar o habitat das espécies que dependem do campo. A expansão ocorre nas regiões campestres, assim como a agricultura eliminou os ambientes florestais há décadas com a expansão do trigo. É um processo que se repete com as paisagens campestres, e isso preocupa porque se percebe o declínio de espécies por conta dos monocultivos. Também destaco a situação crítica de algumas espécies de peixes ao longo da costa do Rio Grande do Sul, que chegam a limites inaceitáveis, como as populações de peixes que foram levadas a zero por uma sobrepesca, chegando à beira de extinção, como os pequenos tubarões.
IHU On-Line – Como esse dado é comparado com outros estados do país?
Glayson Bencke – As avaliações por estado não são simultâneas. Então, não existe como comparar qual seria o número de espécies ameaçadas, hoje, em outros estados. Por exemplo, a lista do Rio de Janeiro está recém sendo atualizada, e a lista anterior, se não estou enganado, é de 1998 ou 1995. A lista de São Paulo foi atualizada em 2008, e a de Santa Catarina saiu no ano passado. Então, os estados estão em momentos diferentes, o que dificulta um pouco a comparação.
É importante frisar que temos a lista nacional, elaborada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, e as listas regionais, que são complementares. Uma espécie pode estar bem em outros estados, mas em extinção em outro. E se está desaparecendo num estado, no futuro pode vir a desaparecer em outros. A propósito, a lista nacional também está sendo revisada. As últimas listas são de 2003 e de 2004: a de 2003 envolvendo organismos terrestres, e a de 2004 envolvendo organismos marinhos, aquáticos.
Esse processo é longo, porque envolve muitos grupos, muitos especialistas, são realizadas oficinas para cada grupo. Então, realmente é um processo lento.
IHU On-Line – Em que regiões do estado a fauna está mais ameaçada?
Glayson Bencke – Para responder a essa questão, precisaria fazer um balanço pela distribuição das espécies. Sabemos que 22% das espécies de mamíferos no estado estão ameaçadas. Quer dizer, uma em cada quatro ou cinco espécies de mamíferos está ameaçada. As aves são 14%, aproximadamente uma em cada seis espécies. Répteis são 11%, uma em cada dez espécies ameaçadas. Anfíbios são 15%; esse é um grupo que subiu bastante em relação à lista anterior. Em 2002 contabilizamos uns dez anfíbios, e agora estamos com 16, houve um aumento de 60%. Houve um aumento da extinção de peixes também; passou de 28 espécies em extinção para 69.
Os grupos de espécies florestais, especialmente das florestas de planícies das terras baixas do litoral norte, das florestas do alto Uruguai e do planalto, que são mais degradadas, despontam como as que sustentam espécies em situação mais crítica. Nós podemos citar o norte do estado, com o Parque Estadual do Turvo, e outras poucas áreas no entorno, onde existem a anta, a onça pintada, o porco-queixada, e outras espécies praticamente restritas a essas poucas grandes manchas do norte. E aí, como eu frisava antes, embora se tenha menos diversidade e menos riqueza de espécies nos campos, proporcionalmente as espécies de campo estão bem representadas, infelizmente, na nova lista que está para ser chancelada e concluída.
Então, muitas espécies de peixes anuais, que são pequenos peixes que habitam poças temporárias no meio do campo, nas margens dos rios, abrigam várias espécies ameaçadas, mais de duas dezenas. Várias aves campestres também se enquadram como ameaçadas, pela perda do hábitat, algumas também por efeito de captura.
IHU On-Line – Houve alguma surpresa durante a realização da pesquisa?
Glayson Bencke – Embora o aumento das espécies em extinção tenha sido baixo, as espécies mudaram mais do que implica esse ligeiro acréscimo. Então, quer dizer que mais espécies saíram da lista, deixaram de ser consideradas ameaçadas e outras entraram em seu lugar. Para citar um exemplo, partimos de 28 espécies de peixes para 69 espécies ameaçadas na nova avaliação. Então, aí já se vê que entraram muitas espécies que antes não eram consideradas ameaçadas. Em contrapartida, o número de aves, possivelmente por causa do critério mais preciso que permite avaliar com mais acurácia aquela espécie que está no limite entre ameaçada ou não, o número de espécies de aves reduziu de 118 para 91. E isso, infelizmente, não representa, pelo menos nesse momento, uma melhora nas condições do ambiente, o que poderia se esperar a partir desses números, mas, sim, o uso de um critério mais preciso de que a tendência é se manter a longo prazo o uso desse mesmo critério, e aí vai tornar mais comparável.
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
Glayson Bencke – Só gostaria de acrescentar que esse trabalho foi conduzido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, coordenado pela Fundação Zoobotânica, mas a avaliação das espécies foi feita, na verdade, por um grande conjunto de especialistas que trabalharam voluntariamente na avaliação do estado de conservação da espécie. Colocaram, então, seu conhecimento, expertise à disposição do Rio Grande do Sul para avaliar o estado de conservação das espécies.
O sistema foi operado via internet, desenvolvido conjuntamente pela Fundação Zoobotânica e pela Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – PROCERGS, e o sistema livre foi operado pela internet, permitindo com que mais pessoas fossem integradas ao processo e trabalhassem remotamente, dos seus escritórios, das suas salas de trabalho, das suas casas. Então, teve-se um alcanço maior a esses especialistas, com um custo muito mais baixo, e com melhora na documentação. Hoje temos todas as informações mantidas com base de dados na internet, de fácil acesso e com segurança, graças a esse investimento e essa inovação tecnológica.
DESENVOLVIMENTO RURAL
Cooperativa de leite em Alagoas ajuda agricultores familiares a aumentar a renda
02/07/2013 10:55
A Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) virou exemplo de casos concretos de agricultores familiares que seguiram as recomendações técnicas de convivência com os problemas causados pela estiagem, mostrando a viabilidade da indústria láctea no semiárido nordestino. São famílias que deixam de ser dependentes do Programa Bolsa Família do governo federal porque elevaram sua renda líquida mensal para dois a três salários mínimos, saindo da linha da miséria para a nova classe média rural em pleno semiárido nordestino.
Desde 2001, a CPLA visa fortalecer os agricultores familiares para que possam escoar a produção no mercado alagoano de 32 mil produtores de leite. E para, cada vez mais, atender o maior número de produtores no estado, a cooperativa criou 71 associações em 102 municípios com mais de três mil agricultores associados. Para fazer o trabalho de beneficiamento e comercialização, a CPLA contratou 16 pequenas indústrias de laticínios que estão distribuídas na região da Zona da Mata, Agreste e Sertão de Alagoas.
As associações são responsáveis pelo recolhimento do leite com os agricultores e o transporte para os laticínios mais próximos. Cerca de 90 mil litros de leite por dia são pasteurizados, empacotados e entregues pelas indústrias que também são contratadas para fazer o transporte. Desse total, 80 mil litros de leite são comercializados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e dez mil litros são entregues às prefeituras para o Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae), ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Por ano, a cooperativa produz 36,5 milhões de litros de leite, sendo responsável por 35% da produção em Alagoas. Os agricultores familiares da cooperativa também acessam as linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), como as de custeio e investimento, além do Garantia-Safra – ação voltada para a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), majoritariamente semiárida.
Projeto Apoiar a reestruturação da cadeia produtiva do leite no estado é o que impulsiona o trabalho da CPLA. “Aqui em Alagoas o clima é seco e tem luminosidade favorável à produção de leite. Com isso, queremos construir, de forma organizada, condições melhores de vida pelas mãos dos agricultores para que eles sobrevivam na região”, deseja o presidente da CPLA, Aldemar Monteiro.
Ele contou que a cooperativa assumiu o projeto de reativação da fábrica Camila, no município de Batalha, que já foi a maior indústria de laticínios do estado e que será reaberta este ano. A ideia, segundo Aldemar, é agregar mais valor ao leite produzindo derivados como queijos, iogurtes, leite em pó, leite condensado. “Para isso, precisamos aumentar a produtividade e temos o projeto de disponibilizar uma metodologia de gestão e assistência técnica aos dois mil agricultores familiares que já estão melhorando as condições de vida tirando-os da extrema pobreza”, afirma Aldemar. Com o projeto, a cooperativa pretende atender 10% dos produtores agregando 23 milhões de litros/ano, contribuindo para o abastecimento do mercado local.
Exemplo disso é o agricultor familiar Marcelo Pereira que substituiu a fumicultura pela pecuária leiteira. Na comunidade Santa Rosa, zona rural de Craíbas no Agreste, Marcelo produzia 50 litros por dia e passou a produzir 230 litros no primeiro teste do projeto de gestão e assistência técnica que a cooperativa está engajada desde 2009. Com isso, trocou os R$ 70 que recebia do Bolsa Família por uma renda mensal em torno de R$ 1.800. “A meta da cooperativa é ter muitos ‘Marcelos’ e ser parceira do governo federal para as políticas públicas contribuírem com o crescimento da agricultura familiar produtora de leite em Alagoas”, conclui o presidente da CPLA.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Pode ser a gota d'água: enfrentar a direita avançando a luta socialista
Mauro Iasi *
O mundo se move sob
nossos pés, as velhas formas se rompem, surgem novas e as
contradições que se
acumulavam explodem buscando o caminho necessário, encontrando sua forma
de
expressão.
A explosão social que
abalou o país brotou do terreno escondido das contradições.
Lá para onde se
costuma exilar as contradições incômodas: a miséria, a
dissidência, a
alteridade, a feiúra, a violência. Germinaram no terreno do
invisível,
escondido e escamoteado pela neblina ideológica e o marketing
cosmético que
epidermicamente encobre a carne pobre da ordem capitalista com grossas camadas
de justificativa hipócrita, de cinismo laudatório de uma
sociabilidade
moribunda.
As autoridades, os
especialistas, sociólogos, politicólogos e jornalistas estão
perdidos dando
razão à dissertativa atribuída à Marx segundo a qual
“a história só surpreende
quem de história nada entende”. Declamam seu espanto querendo
acreditar na extrema
novidade, pois só isto explicaria sua brutal ignorância. No terreno
da história
nada é absolutamente novo.
Se
há algo que é muito conhecido para quem não se
limita ao presentismo, ou foucaultianamente à aléa singular do
acontecimento, é
a insurreição, a explosão de massas. Caso tenham preconceitos
contra nossa
tradição marxista e se recusem a ler as brilhantes análises de
Lênin em Os ensinamentos da insurreição de Moscou,
ou de Trotski em A arte da insurreição,
pode se remeter aos estudos de Freud em A psicologia de massas e
análise do ego,
ou a magistral análise de Sartre em A critica da razão
dialética.
As
massas explodem em uma dinâmica que altera
profundamente o comportamento dos indivíduos isolados que pacificamente se
dirigiam diariamente ao matadouro do capital, em ordem, pacificamente, saindo
de suas casas humildes, pegando ônibus superlotados e precários,
sendo
humilhados pela polícia, vivendo de seus pequenos salários, vendo a
orgia
ostensiva do consumo e tendo que “subviver” com o que não tem.
Os
jovens do Movimento Passe Livre (MPL) estão de
parabéns por uma luta que não vem de agora (lembremos Goiânia e
Florianópolis)
e por conseguir dar consistência a esta luta e ao confronto que os levou a
dobrar a prepotência dos que afirmavam de início que a tarifa
não seria
rebaixada. As manifestações contra o aumento da passagem, no entanto,
são
apenas o desencadeador de algo muito maior. O movimento funcionou como um
catalisador de um profundo descontentamento que estava soterrado pela
propagando oficial.
Analisemos,
então, as determinações mais profundas
que se apresentam nesta explosão social.
Em
primeiro lugar as manifestações expressam um
descontentamento que germinava e que era alimentado pela ação que
queria
negá-lo, isto é, pela arrogância de um discurso oficial que
insistia em afirmar
que tudo ia bem: a economia estava bem, não porque garantia a
produção e
reprodução da vida, mas por que permitia a reprodução do
capital com taxas de
lucros aceitáveis, o Brasil escapara do pior da crise internacional a
golpes de
pesados subsídios às empresas monopolistas, a inflação
estava “entorno do
centro da meta”, o Brasil recebia eventos esportivos e se transformava em
um
canteiro de obras, os trabalhadores apassivados e suas entidades amortecidas
pelo transformismo e pela democracia de cooptação se rendiam ao
consumo via endividamento,
a governo se regozijava com índices de aceitação que pareciam
sólidos.
Acontece aqui um
velho e conhecido fenômeno. A vida real não combina com o discurso
ideológico.
A inflação entorno da meta explodia na hora das compras, de pagar o
aluguel, de
pagar as contas, de pegar um ônibus. As delicias do consumo voltavam na
forma
de dívidas impagáveis. O acesso ao ensino vira o pesadelo da falta de
condições
de permanência. O emprego desejado se transforma em doença
ocupacional. O
orgulho de receber eventos esportivos internacionais se apresenta na farra do
boi de gastos enquanto a educação, a saúde, a moradia, os
transportes ficam às
moscas.
O estopim foi o
aumento das passagens e aqui se apresenta um elemento altamente esclarecedor.
Nas primeiras experiências de governos municipais do PT o enfrentamento da
questão do transporte se deu através da municipalização
deste serviço. Em São
Paulo chegou-se a falar e tarifa zero no governo de Erundina. Em uma segunda
geração de governos petistas, todas as empresas municipais foram
devolvidas aos
empresários que exploravam o setor (e explorar é um termo preciso).
Coincidentemente os empresários do transporte se tornaram uma das
principais fontes
de financiamento das campanhas deste partido.
Entendendo
que a explosão é perfeitamente
compreensível como forma de manifestação de um profundo
descontentamento,
sabemos que é mais que isso. Representa, também, o esgotamento de uma
forma que
tem sido muito eficaz de domínio e controle político. Cultivamos um
fetiche
pela forma democrática como se ela em si mesmo fosse a solução
enfim encontrada
pela humanidade para superar um dilema histórico da ordem burguesa que a
acompanha desde o nascimento e que não tem solução dentro da
sociedade capitalista:
o abismo entre sociedade e Estado.
A sociedade se
representa através de políticos eleitos que formam as esferas
decisórias,
legislativas ou executivas, por meio do voto que transfere o poder para um
conjunto de pessoas que supostamente expressam as diferentes posições
e
interesses existentes na sociedade. Abstrai-se, desta forma, o quanto os reais
interesses políticos e econômicos em jogo deformam esta suposta
límpida
representação resultando na consagração do poder das
classes dominantes,
confirmando a dura descrição e Montesquieu segundo a qual “a
República é uma
presa; e sua força não passa do poder de alguns cidadãos e da
licença de
todos”, ou na ainda mais incisiva afirmação de Marx (e depois
Lênin): a
democracia é o direito dos explorados escolher a cada quatro anos quem os
representará e esmagará no governo.
Desta maneira é
compreensível o espanto daqueles que acreditavam que estava tudo bem em
uma
sociedade marcada pelas contradições da forma capitalista e de sua
expressão
política, ignorando as profundas e conhecidas contradições que
tal ordem gera
inevitavelmente.
Uma contradição, no
entanto, encontra sempre uma forma particular para se expressar. A forma como
se expressaram as contradições descritas também é
perfeitamente compreensível.
O último período
político foi marcado por uma profunda despolitização dos
movimentos sociais e
dos movimentos reivindicativos da classe trabalhadora. Em dez anos de governo
os trabalhadores não foram uma vez sequer chamados a participar ativa e
independentemente da correlação de forças políticas em
defesa de seus
interesses e no terreno que lhe é próprio: as ruas, as praças, a
cidade.
Optou-se por uma governabilidade sustentada por alianças de cúpula
nos limites
da ordem política existente e do presidencialismo de coalizão,
mantendo seus
métodos, isto é, oferta de cargos, liberação de verbas e
facilidades. Não é de
se estranhar que em dez anos não se tenha implementado uma reforma
política.
Em
nenhum momento no qual uma demanda das massas
trabalhadoras (reforma agrária, previdência, direitos trabalhistas,
garantia de
serviços públicos, etc.) que se chocava com a resistência dos
setores
conservadores foi resolvida chamando os trabalhadores a se manifestar e
inverter a correlação de forças desfavorável às
mudanças. Pelo contrário, via
de regra, as soluções conservadoras foram propostas pelo governo que
se pretendia popular e se pedia às massas que se
calassem e dessem, como prova de sua infinita paciência, mais um voto de
confiança em suas lideranças que deles se alienavam.
Quando
os trabalhadores se chocavam com a
orientação governista, como na última greve dos professores e
dos funcionários
públicos federais, são tratados com arrogância e
prepotência.
Por isso, não nos
espanta que a explosão social se dê da forma como se deu e traga os
elementos
contraditórios que expressa: despolitizada e sem direção, ainda
que com alvos
precisamente definidos: os governos e aquilo que representa a ordem
estabelecida.
A despolitização se
expressa de varias formas, mas duas delas se apresentam com mais evidentes: a
violência e antipartidarismo. Comecemos pela violência.
Quanto à forma
violenta que tanto espanta os ardorosos defensores da ordem temos que constatar
que ela não é homogênea. Há pelo menos três vertentes
da violência. Uma delas,
difusa e desorganizada, é aquela que expressa a raiva e o ódio contra
uma ordem
que oprime, não por acaso esta se dirige contra as expressões desta
ordem, seja
os prédios públicos que abrigam as instituições da ordem
política burguesa
(sedes de governo, parlamentos, prédios do judiciário, etc.), mas
também os
monopólios da imprensa, da televisão, assim como os templos do
consumo
ostensivo. Esta manifestação é compreensível e até, em
certa medida, justificada.
Marx e Engels, ao analisar a situação alemã de 1850 (Mensagem do
Comitê Central
à Liga dos Comunistas) dizem a respeito:
Os
operários não
só não devem opor-se aos chamados excessos, aos atos de vingança
popular contra
indivíduos odiados ou contra edifícios públicos que o povo
só possa relembrar
com ódio, não somente devem admitir tais atos , mas assumir sua
direção.
Deixemos aos
patéticos novos defensores da “ordem e da tranqüilidade”
a defesa do fetiche do
patrimônio público, uma vez que é esta “ordem”
é que tem garantido às classes
dominantes e seus aliados de plantão a “tranqüilidade”
para saquear e depredar o
verdadeiro patrimônio público.
Há uma segunda
vertente da violência. Jovens das periferias, dos bairros pobres, das
áreas
para onde se expulsou os restos incômodos desta ordem de
acumulação e
concentração de riqueza, que são cotidianamente agredidos e
violentados,
estigmatizados, explorados e aviltados, que agora, aproveitando-se do mar
revolto das manifestações expressam seu legítimo ódio
contra esta sociedade
hipócrita e de sua ordem de cemitérios. Sua forma violenta em saques
e
depredações assustam, é verdade, mas a consciência
cínica de nossa época passou
a assumir como normal as chacinas, a violência policial.
Pseudointelectuais
chegaram a justificar como normal que a policia entre nas favelas e invada
casas sem mandato, prenda, torture e mate em nome da “ordem”; ou
seja, a
violência só é aceitável contra pobres, contra bandidos,
contra marginais, mas
é inadmissível contra lixeiras, pontos de ônibus, bancos e
vitrines.
Há uma terceira
violência e esta não é espontânea e emocional como as duas
primeiras: a extrema
direita. Ela, lá dos esgotos para onde foi jogada pela história
recente, se sentia
também ofendida e agredida, evidente que não pela ordem burguesa e
capitalista
que sempre defendeu, mas pelo irrespirável ar democrático que
acertava as
contas com nosso passado tenebroso, como a denúncia contra o golpe de 1964
e
seus sujeitos, com as comissões da verdade, mas sobretudo o mal estar
desta
extrema direta com um regime político que permite a organização
dos
trabalhadores e sua expressão, mesmo nos precários limites de uma
democracia
representativa de cooptação. Assim como os movimentos sociais e de
classe se
despolitizam, a direita também. Para a extrema direita não interessa
que a
atual forma política permita aos monopólios seus gigantescos lucros e
à
burguesia sua pornográfica concentração de riquezas. A burguesia
que já se
serviu da truculência para garantir as condições de
acumulação de capital, hoje
se serve da ordem e tranquilidade democrática para os mesmos fins e neste
contexto não há função clara para seus antigos cães de
guarda.
Estes não suportam
nos ver andando com nossas camisetas que lembram nossos mártires, nossas
bandeiras que recolhem o sangue de todos que lutaram, nossas firmes
convicções
que nos mantêm nas lutas diárias ao lado dos trabalhadores em defesa
da vida,
mas com o olhar certeiro no futuro necessário e urgente que supere a ordem
do
capital por uma alternativa socialista. Por isso nos atacam, usam das
manifestações para acertar suas contas com a esquerda, de forma
organizada,
intencional e, certamente, com apoio formal ou informal das aparatos de
repressão.
A ação da extrema
direita encontra respaldo na despolitização das massas,
principalmente na
expressão gritante do antipartidarismo. No entanto, neste caso temos que
ter
cautela ao analisar os fatos. O comportamento contra os partidos é
compreensível, ainda que não justificado. Compreensível por dois
motivos: as
massas, graças a triste experiência petista, estão cansadas de
partidos que
usam as demandas populares para eleger seus vereadores, deputados e presidentes
que depois voltam as costas para estas demandas para fazer seus jogos e
alianças para manter em seus cargos; também, acertadamente, não
podem aceitar
que certos partidos pulem na frente de manifestações e movimentos
para tentar
dirigi-los sem a legitimidade de ter construído organicamente as lutas.
Tal atitude,
portanto, compreensível, é injustificável pelo fato que ao mirar
os partidos de
esquerda erra pelo fato que foram os militantes dos partidos de esquerda e dos
movimentos sociais que mantiveram no pior momento da correlação de
força
desfavorável as lutas entorno das demandas populares, por moradia, na luta
pela
terra, contra a reforma da previdência, contra as privatizações,
em defesa da
educação e da saúde públicas, contra os gastos com os
eventos esportivos,
contra as remoções. E o fizeram em um contexto em que as massas
estavam
submetidas a um profundo apassivamento e no qual o transformismo do PT em
partido da ordem isolava a esquerda e a estigmatizava. Neste sentido os
partidos de esquerda como o PCB, o PSTU, o PSOL e outras organizações
de esquerda,
assim como os movimentos sociais e sindicatos, não precisam pedir
licença a
ninguém para participar de lutas e manifestações sociais,
conquistaram legitimamente
este direito na luta, com sua coerência e compromisso.
Para onde vão as
manifestações? Alguns ingenuamente, ou de forma interesseira,
acreditam que a
mera existência da ação independente de massas configura em si
mesma um fator
positivo de transformação. Infelizmente, a história também
nos traz elementos
para questionar esta tese, alguns exemplos da história muito recente.
Quando da
derrocada do leste europeu advinda do desmonte da URSS, muitos saudaram como a
possibilidade de uma revolução política que retomasse o rumo
interrompido das
experiências socialistas, mas o que vimos foi a restauração
capitalista. Agora
saúdam a chamada “primavera árabe”, mas o que temos
visto, e a Líbia e o Egito
são exemplos paradigmáticos, é o aproveitamento dos
monopólios na partilha do
botim de países estratégicos isolando mais uma vez os setores
populares.
O sentido e futuro
das manifestações estão em disputa e temo em dizer que a
esquerda está perdendo
esta disputa para um sentido perigosamente de direita e conservador.
Recentemente afirmei que a experiência política do último
período, ao contrário
do que alguns esperavam, havia produzido um desmonte na consciência de
classe
e se expressava em uma virada
conservadora no senso comum. Este processo ficou evidente nas
manifestação,
para além da intenção de seus originais promotores. O produto
multifacetado das
contradições mescla nas manifestações elementos de bom
senso e senso comum,
criticas difusas às manifestações mais evidentes da
sociabilidade burguesa em
que estamos inseridos ao lado de reafirmações de valores
próprios desta mesma
ordem, o que seria natural se entendermos o processo de
despolitização
descrito.
Quando os adeptos do
espontaneismo alardeiam a virtude de uma manifestação sem
direção e que
hostiliza partidos se esquecem é que se você não tem uma
estratégia, não se
preocupe, você faz parte da estratégia de alguém. Além da
evidente eficiência
dos monopólios da comunicação, o “partido da pena”
nos termos de Marx, em
pautar o movimento selecionando as bandeiras que interessa à ordem (luta
contra
a corrupção, nacionalismo, diminuição de impostos, etc.),
outros elementos
muito perigosos se apresentam.
Um cartaz na
manifestação no Rio dizia: se o povo precisar as Forças Armadas
estão prontas
para ajudar. Significativamente os militantes antipartido não
destruíram esta
faixa, talvez porque não sabem que existe além do partido da pena o
“partido da
espada”. Em nota dos clubes militares da
marinha, exército e aeronáutica, os militares depois de afirmar que
as
manifestações expressam majoritariamente a indignação com o
descaso das
autoridades com as aspirações da sociedade e que diante da dos
vícios e
omissões que se repetem chegou a hora de se “manifestar
clamorosamente” e não
aceitar “ser conduzido, resignadamente, como grupo ingênuo”
dando “um basta à
impostura e à impunidade”. A nota dos militares termina com uma
clara
provocação e cita Vandré: “quem sabe faz a hora, não
espera acontecer”.
A direita só germina
e cresce no vazio deixado pela esquerda. A ilusão de um desenvolvimento
capitalista capaz de resolver as demandas populares e garantir lucros aos
capitalistas, sustentado por um governo de coalizão com a burguesia
desarma os
trabalhadores e a direita ocupa o terreno. Há um evidente cheiro de golpe
no
ar. A embaixadora dos EUA que estava na Nicarágua na época dos
contras, na
Bolívia quando da tentativa de dividir o pais, no Paraguai quando do golpe
contra Lugo, chegou ao Brasil.
Ao prefaciar o livro
sobre de Leandro Konder sobre o fascismo republicado em 2009, dizia alertando
para a atualidade do risco desta alternativa contra aqueles que achavam que
este fenômeno estaria condenado ao passado:
Capital
monopolista em crise, imperialismo, ofensiva anticomunista,
criminalização dos
movimentos sociais, decadência cultural, hegemonia da política
pequeno-burguesa
em detrimento da política revolucionária do proletariado,
irracionalismo,
neo-positivismo, misticismo, chauvinismos nacionalistas acompanhados ou
não de
racismo... Não se enganem. Só posso alertar, como certa feita o fez
Marx: “esta
fábula trata de ti”.
A explosão de massas
deu o recado: olha só meu coração, ele é um pote até
aqui de mágoa, qualquer
desatenção, faça não... pode ser a gota d’água.
*Mauro
Iasi é
professor adjunto
da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidente da ADUFRJ, pesquisador do
NEPEM
(Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do
Comitê
Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o
não ser
da consciência (Boitempo, 2002). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às
quartas.
Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br
Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922
Tarso Genro anuncia passe livre estudantil para transporte intermunicipal
O governador Tarso
Genro anunciou, nesta quinta-feira, que irá instituir
o passe livre
estudantil no transporte
intermunicipal a partir de 1º de agosto. Os alunos atendidos pela
medida serão aqueles que residem em uma cidade e estudam em outra, no Ensino
Médio ou na universidade. Serão beneficiados estudantes que circulam entre os
municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, Litoral Norte, eixo
Pelotas-Rio Grande e no eixo Caxias do Sul-Bento Gonçalves.
>> AO VIVO: acompanhe as manifestações em tempo real
Estudos preliminares apontam que o impacto será de R$ 10 milhões por ano e a estimativa é que sejam concedidos 200 mil passes por mês. A proposta será regulamentada através de projeto de lei, que será remetido em regime de urgência para Assembleia Legislativa. O passe livre não vale para o trensurb. Atualmente, os estudantes têm desconto de 10% na tarifa.
>> Em página especial, leia todas as notícias sobre as manifestações
No encontro sobre reforma política, no Palácio Piratini, o governador defendeu uma "radicalização na democracia". Para isso, reiterou que a revisão das regras deve ser feita através de uma câmara constituinte, com a participação virtual da sociedade.
— A participação virtual está hoje conduzindo o processo político brasileiro. É uma nova fonte de poder que se revela, e que, se não for levada em consideração, nenhuma democracia ou projeto político terá estabilidade — justificou.
Tarso também sugeriu que as concessões dos meios de comunicação sejam reavaliadas.
Relator do projeto de reforma política que tramita há 15 anos no Congresso, o deputado federal Henriques Fontana (PT-RS), em vídeo, disse que o sistema político já deu todos os sinais possíveis de exaustão. O parlamentar avaliou que o atual modelo deve ser revisto porque leva a governos conservadores, que retardam mudanças.
— Não se vota (a proposta) porque o sistema interessa a muitos.
Para o cientista político Luis Gustavo Grohmann, professor da UFRGS, a reforma política que está em pauta, embora seja importante, não atende às demandas das ruas.
>> AO VIVO: acompanhe as manifestações em tempo real
Estudos preliminares apontam que o impacto será de R$ 10 milhões por ano e a estimativa é que sejam concedidos 200 mil passes por mês. A proposta será regulamentada através de projeto de lei, que será remetido em regime de urgência para Assembleia Legislativa. O passe livre não vale para o trensurb. Atualmente, os estudantes têm desconto de 10% na tarifa.
>> Em página especial, leia todas as notícias sobre as manifestações
No encontro sobre reforma política, no Palácio Piratini, o governador defendeu uma "radicalização na democracia". Para isso, reiterou que a revisão das regras deve ser feita através de uma câmara constituinte, com a participação virtual da sociedade.
— A participação virtual está hoje conduzindo o processo político brasileiro. É uma nova fonte de poder que se revela, e que, se não for levada em consideração, nenhuma democracia ou projeto político terá estabilidade — justificou.
Tarso também sugeriu que as concessões dos meios de comunicação sejam reavaliadas.
Relator do projeto de reforma política que tramita há 15 anos no Congresso, o deputado federal Henriques Fontana (PT-RS), em vídeo, disse que o sistema político já deu todos os sinais possíveis de exaustão. O parlamentar avaliou que o atual modelo deve ser revisto porque leva a governos conservadores, que retardam mudanças.
— Não se vota (a proposta) porque o sistema interessa a muitos.
Para o cientista político Luis Gustavo Grohmann, professor da UFRGS, a reforma política que está em pauta, embora seja importante, não atende às demandas das ruas.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Studio Clio
Cursos e oficinas
O Olho do Documentário
O documentário é um gênero clássico da história do cinema, que concilia pesquisa e informação com a expressão estética da sétima arte. Luz, música, enquadramento e edição são elementos marcantes de filmes como “Ritmos da cidade”, de Arne Sucksdorff (1948) e “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio (1982), referenciais na exploração dos recursos estéticos do cinema. Jaime Lerner, cineasta premiado e consagrado no gênero documental, ministra o curso “O Olho do documentário”, no qual explora direção e realização prática em nível conceitual, com ênfase na estética do documentário. Com iniciativa da Primeiro Corte Produções, o curso oferece ferramentas e conhecimentos para a criação de documentários, da pesquisa ao pré-roteiro.
Dias 02, 09, 16, 23 e 30 de julho, terças-feiras, das 14h às 18h
Valores das inscrições
Até o dia 27 de junho:
R$ 660,00 (público geral)
R$ 594,00 (professores e estudantes)
A partir de 28 de junho:
R$ 725,00 (público geral)
R$ 652,50 (professores e estudantes)
Os valores podem ser parcelados em até 3x no cheque ou no cartão.
O Olho do Documentário
O documentário é um gênero clássico da história do cinema, que concilia pesquisa e informação com a expressão estética da sétima arte. Luz, música, enquadramento e edição são elementos marcantes de filmes como “Ritmos da cidade”, de Arne Sucksdorff (1948) e “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio (1982), referenciais na exploração dos recursos estéticos do cinema. Jaime Lerner, cineasta premiado e consagrado no gênero documental, ministra o curso “O Olho do documentário”, no qual explora direção e realização prática em nível conceitual, com ênfase na estética do documentário. Com iniciativa da Primeiro Corte Produções, o curso oferece ferramentas e conhecimentos para a criação de documentários, da pesquisa ao pré-roteiro.
Dias 02, 09, 16, 23 e 30 de julho, terças-feiras, das 14h às 18h
Valores das inscrições
Até o dia 27 de junho:
R$ 660,00 (público geral)
R$ 594,00 (professores e estudantes)
A partir de 28 de junho:
R$ 725,00 (público geral)
R$ 652,50 (professores e estudantes)
Os valores podem ser parcelados em até 3x no cheque ou no cartão.
A direita também disputa ruas e urnas
Quem militou ou estudou os acontecimentos anteriores ao golpe de 1964 sabe muito bem que a direita é capaz de combinar todas as formas de luta. Conhece, também, a diferença entre “organizações sociais” e “movimentos sociais”, sendo que os movimentos muitas vezes podem ser explosivos e espontâneos.
Já a geração que cresceu com o Partido dos Trabalhadores acostumou-se a outra situação. Nos anos 1980 e 1990, a esquerda ganhava nas ruas, enquanto a direita vencia nas urnas. E a partir de 2002, a esquerda passou a ganhar nas urnas, chegando muitas vezes a deixar as ruas para a oposição de esquerda.
A direita, no dizer de alguns, estaria“sem programa”, “sem rumo”, controlando“apenas” o PIG, que já não seria mais capaz de controlar a“opinião pública”, apenas a “opinião publicada”.
Era como se tivéssemos todo o tempo do mundo para resolver os problemas que vinham se acumulando: alterações geracionais e sociológicas, crescimento do conservadorismo ideológico, crescente perda de vínculos entre a esquerda e as massas, ampliação do descontentamento com ações (e com falta de ações) por parte dos nossos governos, decaimento do PT à vala comum dos partidos tradicionais etc.
Apesar destes problemas, o discurso dominante na esquerda brasileira era, até ontem, de dois tipos.
Por um lado, no petismo e aliados, o contentamento com nossas realizações passadas e presentes, acompanhada do reconhecimento mais ou menos ritual de que “precisamos mais” e de que “precisamos mudar práticas”.
Por outro lado, na esquerda oposicionista (PSOL, PSTU e outros), a crítica aos limites do petismo, acompanhada da crença de que através da luta política e social, seria possível derrotar o PT e, no lugar, colocar uma “esquerda mais de esquerda”.
As manifestações populares ocorridas nos últimos dias, especialmente as de ontem, atropelaram estas e outras interpretações.
Primeiro, reafirmaram que os movimentos sociais existem, mas que eles podem ser espontâneos. E que os autoproclamados“movimentos sociais”, assim como os partidos“populares”, não conseguem reunir, nem tampouco dirigir, uma mínima fração das centenas de milhares de pessoas dispostas a sair ás ruas, para manifestar-se.
Em segundo lugar, mostraram que a direita sabe disputar as ruas, como parte de uma estratégia que hoje ainda pretende nos derrotar nas urnas. Mas que sempre pode evoluir em outras direções.
Frente a esta nova situação, qual deve ser a atitude do conjunto da esquerda brasileira, especialmente a nossa, que somos do Partido dos Trabalhadores?
Em primeiro lugar, não confundir focinho de porco com tomada. As manifestações das últimas semanas não são “de direita” ou "fascistas". Se isto fosse verdade, estaríamos realmente em péssimos lençóis.
As manifestações (ainda) são expressão de uma insatisfação social difusa e profunda, especialmente da juventude urbana. Não são predominantemente manifestações da chamada classe média conservadora, tampouco são manifestações da classe trabalhadora clássica.
A forma das manifestações corresponde a esta base social e geracional: são como um mural do facebook, onde cada qual posta o que quer. E tem todos os limites políticos e organizativos de uma geração que cresceu num momento "estranho" da história do Brasil, em que a classe dominante continua hegemonizando a sociedade, enquanto a esquerda aparentemente hegemoniza a política.
A insatisfação expressa pelas manifestações tem dois focos: as políticas públicas e o sistema político.
As políticas públicas demandadas coincidem com o programa histórico do PT e da esquerda. E a crítica ao sistema político dialoga com os motivos pelos quais defendemos a reforma política.
Por isto, muita gente no PT e na esquerda acreditava que seria fácil aproximar-se, participar e disputar a manifestação. Alguns, até, sonhavam em dirigir.
Acontece que, por sermos o principal partido do país, por conta da ação do consórcio direita/mídia, pelos erros politicos acumulados ao longo dos últimos dez anos, o PT se converteu em símbolo principal do sistema político condenado pelas manifestações.
Esta condição foi reforçada, nos últimos dias, pela atitude desastrosa de duas lideranças do PT: o ministro da Justiça, Cardozo, que ofereceu a ajuda de tropas federais para o governador tucano“lidar” com as manifestações; e o prefeito Haddad, que nem na entrada nem na saída teve o bom senso de diferenciar-se do governador.
O foco no PT, aliado ao caráter progressista das demandas por políticas públicas, fez com que parte da oposição de esquerda acredita-se que seria possível cavalgar as manifestações. Ledo engano.
Como vimos, a rejeição ao PT se estendeu ao conjunto dos partidos e organizações da esquerda político-social. Mostrando a ilusão dos que pensam que, através da luta social (ou da disputa elietoral) seriam capazes de derrotar o PT e colocar algo mais à esquerda no lugar.
A verdade é que ou o PT se recicla, gira à esquerda, aprofunda as mudanças no país; ou toda a esquerda será atraída ao fundo. E isto inclui os que saíram do PT, e também os que nos últimos anos flertaram abertamente com o discurso anti-partido e com o nacionalismo. Vale lembrar que a tentativa de impedir a presença de bandeiras partidárias em mobilizações sociais não começou agora.
O rechaço ao sistema político, à corrupção, aos partidos em geral e ao PT em particular não significa, entretanto, que as manifestações são da direita. Significa algo ao mesmo tempo melhor e pior: o senso comum saiu às ruas. O que inclui o uso que vem sendo dado nas manifestações aos símbolos nacionais.
Este senso comum, construído ao longo dos últimos anos, em parte por omissão e em parte por ação nossa, abre enorme espaço para a direita. Mas, ao mesmo tempo, à medida que este senso comum participa abertamente da disputa política, cria-se condições melhores para que possamos disputá-lo.
Hoje, o consórcio direita/mídia está ganhando a disputa pelo pauta das manifestações. Além disso, há uma operação articulada de participação da direita, seja através da presença de manifestantes, seja através da difusão de determinadas palavras de ordem, seja através da ação de grupos paramilitares.
Mas a direita tem dificuldades para ser consequente nesta disputa. O sistema político brasileiro é controlado pela direita, não pela esquerda. E as bandeiras sociais que aparecem nas manifestações exigem, pelo menos, uma grande reforma tributária, além de menos dinheiro público para banqueiros e grandes empresários.
É por isto que a direita tem pressa em mudar a pauta das manifestações, em direção a Dilma e ao PT. O problema é que esta politização de direita pode esvaziar o caráter espontâneo e a legitimidade do movimento; além de produzir um efeito convocatória sobre as bases sociais do lulismo, do petismo e da esquerda brasileira.
Por isto, é fundamental que o PT e o conjunto da esquerda disputem o espaço das ruas, e disputem corações e mentes dos manifestantes e dos setores sociais por eles representados. Não podemos abandonar as ruas, não podemos deixar de disputar estes setores.
Para vencer esta disputa teremos que combinar ação de governo, ação militante na rua, comunicação de massas e reconstruir a unidade da esquerda.
A premissa, claro, é que nossos governos adotem medidas imediatas que respondam às demandas reais por mais e melhores políticas públicas. Sem isto, não teremos a menor chance de vencer.
Não basta dizer o que já fizemos. É preciso dar conta do que falta fazer. E, principalmente, explicar didaticamente, politicamente, as ações do governo. Marcando a diferença programática, simbólica, política, entre a ação de governo de nosso partido e os demais.
O anúncio conjunto (Alckmin/Haddad) de redução da tarifa e a oferta da força pública feita por Cardozo a Alckmin são exemplos do que não pode se repetir. Para não falar das atitudes conservadoras contra os povos indígenas, da atitude complacente com setores conservadores e de direita, dos argumentos conservadores que alguns adotam para defender as obras da Copa e as hidroelétricas etc.
Para dialogar com o sentimento difuso de insatisfação revelado pelas mobilizações, não bastam medidas de governo. Talvez tenha chegado a hora, como algumas pessoas têm sugerido, de divulgarmos uma nova “carta aos brasileiros e brasileiras”. Só que desta vez, uma carta em favor das reformas de base, das reformas estruturais.
Quanto a nossa ação de rua, devemos ter presença organizada e massiva nas manifestações que venham a ocorrer. Isto significa milhares de militantes de esquerda, com um adequado serviço de ordem, para proteger nossa militância dos para-militares da direita.
É preciso diferenciar as manifestações de massa das ações que a direita faz dentro dos atos de massa. E a depender da evolução da conjuntura, nos caberá convocar grandes atos próprios da esquerda político-social.
Independente da forma, o fundamental, como já dissemos, que a esquerda não perca a batalha pelas ruas.
Quanto a batalha da comunicação, novamente cabe ao governo um papel insubstituível. No atual estágio de mobilização e conflito, não basta contratacar a direitas nas redes sociais; é preciso enfrentar o que dizem os monopólios nas televisões e rádios. O governo precisa entender que sua postura frente ao tema precisa ser alterada já.
Em resumo: trata-se de combinar ruas e urnas, mudando a estratégia e a conduta geral do PT e da
esquerda.
Não há como deslocar a correlação de forças no país, sem luta social. A direita sabe disto tanto quanto nós. A direita quer ocupar as ruas. Não podemos permitir isto. E, ao mesmo tempo, não podemos deixar de mobilizar.
Se não tivermos êxito nesta operação, perderemos a batalha das ruas hoje e a das urnas ano que vem. Mas, se tivermos êxito, poderemos colher aquilo que o direitista Reinaldo Azevedo aponta como risco (para a direita) num texto divulgado recentemente por ele, cujo primeiro parágrafo afirma o seguinte: "o movimento que está nas ruas provocará uma reciclagem do PT pela esquerda, poderá tornar o resultado das urnas ainda mais inóspito para a direita".
Num resumo: a saída para esta situação existe. Pela esquerda.
Valter Pomar
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