Biólogo e doutor em ecologia, leciona manejo de fauna e manejo de áreas protegidas na Universidade de Brasília. Estuda répteis e anfíbios com paixão. Analista Ambiental do IBAMA entre 2002 e 2006.
É essa a paisagem que nós queremos? Seria uma pena no Brasil, o país de maior biodiversidade do planeta. Foto: Jeff Belmonte
Ninguém é contra o agro. Sempre achei esse tema extremante bobo e, por isso mesmo, sem graça para merecer um texto. No entanto, as falácias colocadas por setores do agronegócio, repetidas pelo movimento “Sou Agro”, me levaram a escrever esse texto.
Para começo de conversa, ninguém com um mínimo de sanidade mental nega a relevância, a beleza e a importância das atividades agrícolas. Não é esse o ponto. A agricultura e a pecuária são atividades imprescindíveis para toda a humanidade. A produção e a segurança no fornecimento de alimentos permitiram o crescimento das cidades e das sociedades. A pecuária afetou profundamente nossa resistência a doenças, garantiu a proteína na dieta, permitiu formar cavalarias, criou modalidades esportivas. A agricultura contribuiu com a segurança alimentar, permitiu a domesticação de diversas variedades de plantas e influenciou profundamente a cultura de muitos povos. Nos dias atuais, diversos produtos da agropecuária são relevantes artigos de exportação que ajudam, e muito, a fazer com que a balança comercial brasileira obtenha resultados positivos. Os benefícios da agricultura são muitos e conspícuos.
A agricultura e a pecuária tem ares de milagres. Trabalhar a terra, acompanhar o crescimento das plantas e dos animais, produzir alimentos, sentir o sol no rosto e o sal do suor na boca. Esperar a chuva na hora certa. Sofrer e se alegrar com o trabalho... Sem dúvida, o proprietário rural é um guerreiro valoroso. E, muitas vezes, parece que as regras e as normas governamentais existem mais para atrapalhar do que para ajudar aqueles que tanto trabalham para gerar alimentos.
“Na verdade, a agricultura é o setor produtivo que mais depende de serviços ambientais para ser viável. Sem água, sem polinizadores, sem condições climáticas propícias, não existe maquinário, insumo ou reza brava que funcione...”
Como alguns setores da sociedade brasileira se atrevem a contestar a agropecuária? Logo a agropecuária que tanto faz pelo país, que ajudou a ocupar regiões onde antes só havia mato e bichos! Logo a agropecuária, que produz as matérias-primas que todos os brasileiros (e o mundo) usam, demandam e necessitam! Se você almoçou hoje, agradeça a um agro! Se você usou roupas, agradeça a um agro. Se você andou de carro, agradeça a um agro. Se você está hoje de ressaca por conta do churrasco de ontem, agradeça a um agro! Mais que isso, se você fez alguma dessas coisas, você é agro!
Este é o ponto no qual quero chegar. O Movimento Sou Agro é muito bem feito, é muito rico e tem grande aceitação no público em geral. No entanto, muitos dos argumentos usados para sensibilizar a sociedade são ingênuos, falaciosos e também perigosos, que em nada melhoram a relação da agricultura com a população ou com os outros setores produtivos da sociedade.
Só sou Agro porque existe o Bio
A produção de bens de consumo não é exclusividade da agricultura. Na verdade, a maior parte dos produtos derivados de produtos agrícolas só chega a nós porque outros setores produtivos desenvolveram a tecnologia necessária ao seu beneficiamento e transformação. Não é porque uso o vaso sanitário que sou Deca, tão pouco sou Sony porque ouço músicas ou sou Intel porque digito no teclado do meu computador. Dizer que todo brasileiro é agro porque consume um produto derivado de algo produzido em uma fazenda é desmerecer a complexidade da nossa sociedade, é desconhecer o intricado caminho da produção, bem como o papel dos diferentes atores nesse processo. É muita presunção acreditar que apenas a agricultura é relevante na sociedade brasileira. Se um carro usa etanol, não foi a agricultura que desenvolveu o motor que utiliza esse combustível, tão pouco os teares que produzem os tecidos. A própria agricultura depende fortemente de outras indústrias, como a química, sem as quais a atividade agrícola pode se tornar inviável.
“...menos de 20% dos fazendeiros brasileiros detêm 3/4 das terras agrícolas do país. Mesmo assim, as propriedades rurais familiares são responsáveis por 70% da produção brasileira de alimentos e empregam muito mais que os grandes proprietários.”
Se este argumento é válido, somos todos Bio, afinal de contas respiramos gases produzidos por organismos fotossintetizantes que independem do nosso cultivo. O melhoramento de variedades agrícolas depende do conhecimento acerca do patrimônio genético da natureza. A fertilidade e estrutura do solo dependem fortemente dos microrganismos envolvidos na ciclagem de nutrientes e na formação da matéria orgânica. Populações de animais daninhos são eficientemente controlados por predadores naturais. Um morcego insetívoro ingere diariamente o seu próprio peso em mariposas e outros insetos que se alimentam de culturas agrícolas. A produtividade de diversos cultivares, notadamente de frutas, depende de polinizadores. Na verdade, a agricultura é o setor produtivo que mais depende de serviços ambientais para ser viável. Sem água, sem polinizadores, sem condições climáticas propícias, não existe maquinário, insumo ou reza brava que funcione... Se é agro, é bio, antes de mais nada. É uma pena que ainda existam grupos que não consigam entender o óbvio ululante.
Sou Agro, sou falacioso...
O Movimento Agro reúne alguns dos grupos mais poderosos da agropecuária brasileira. Grupos que tradicionalmente se beneficiam de vultosos financiamentos de bancos públicos. Grupos que representam proprietários de grandes nacos do território nacional.
O objetivo do Movimento Agro é, aparentemente, trivial. É buscar apoio social entre as pessoas que moram nos ambientes urbanos e que podem não entender a importância da agricultura na suas vidas. Bancado por grandes grupos, contrataram artistas globais “simpáticos” e conhecidos da população urbana para convencer que a agricultura praticada por eles é linda... Hum...
Segundo dados dos censos agropecuários, mais de 80% das propriedades rurais do Brasil são caracterizadas como familiares. No entanto, a despeito da grande superioridade numérica, esse tipo de fazenda ocupa menos de um quarto da superfície total das fazendas brasileiras. Ou seja, menos de 20% dos fazendeiros brasileiros detêm 3/4 das terras agrícolas do país. Mesmo assim, as propriedades rurais familiares são responsáveis por 70% da produção brasileira de alimentos e empregam muito mais que os grandes proprietários.
Desta forma, é claro que existe um grande conflito social no Brasil. De um lado, pequenos proprietários que trabalham muito, produzem com mais qualidade e investem na mão de obra e na diversificação de produtos. De outro lado, grandes proprietários que vivem de financiamentos públicos, produzem em grandes monoculturas, investem em maquinário e têm dinheiro para montar grandes peças midiáticas visando atingir um público específico.
“Qual é o objetivo final do Movimento Agro? Criar na sociedade a sensação de que a agricultura não deve ser fiscalizada? Que a legislação ambiental agride a bela agricultura e que certas leis, como o Código Florestal, apenas servem para punir o nobre, trabalhador e essencial fazendeiro? Calma lá...”
Desta forma, tenho dúvidas que esse Agro realmente cresça forte e saudável. Esse Agro me parece ser o mesmo que acredita que “desenvolver” é fagocitar territórios inteiros e rapidamente convertê-los em paisagens monótonas, mantidas à custa de muita química e muita água. Que não consegue entender que os serviços ambientais são bens comuns, que não devem ser privatizados ou degradados. Uma agricultura que tenta convencer que é mais valiosa que a natureza, que a conservação de nascentes, que a manutenção de reservas legais. Que visa ocupar as áreas de proteção permanente, que ambiciona incorporar todas as fatias de terra do Brasil ao seu “modelo” de produção, de desenvolvimento, de crescimento. Uma agricultura baseada no abandono de terras degradadas para adquirir novas terras nas fronteiras agrícolas, que também serão abandonadas no futuro. Uma agricultura que deixou para trás mais de 300 mil de hectares degradados e improdutivos apenas no bioma Cerrado. Um modelo arcaico de agricultura depredatória, que repete uma lógica criada nos anos 70, onde alguns acreditavam que o único destino do Brasil era se tornar o celeiro do mundo.
Sou Agro, sou perigoso?
A história é rica em exemplos onde grupos humanos que se consideravam, por alguma razão obscura, superiores ou melhores que outros grupos humanos, causaram grandes conflitos, muitos dos quais resultaram em guerras e massacres. Argumentos vazios e falaciosos, agindo sobre as emoções das pessoas, levaram ao massacre de judeus na Europa nos anos 40, no assassinato de tutsis pelos hutus em Ruanda, no extermínio de albaneses pelos sérvios no Kosovo.
A agricultura é importante e realmente deve ser valorizada, mas todo cidadão brasileiro possui direitos e deveres. É normal acreditarmos que nosso trabalho é importante, que nosso trabalho engrandece, mas nunca devemos minimizar a importância do trabalho alheio, por menos que o entendamos. O Movimento Agro é proselitista e visa criar a sensação de que apenas a agricultura cresce no Brasil, que todo brasileiro deve algo a eles. Qual é o objetivo final do Movimento Agro? Criar na sociedade a sensação de que a agricultura não deve ser fiscalizada? Que a legislação ambiental agride a bela agricultura e que certas leis, como o Código Florestal, apenas servem para punir o nobre, trabalhador e essencial fazendeiro? Calma lá...
“O Brasil, país detentor da maior biodiversidade do planeta, também é uma potência agrícola. Essa é a maior prova de que não existe nada de errado em produzir e conservar. Produzir de verdade e conservar de verdade. Não existe incompatibilidade nisso.”
Realmente espero que o objetivo deste movimento não seja esse. No sítio do movimento lemos que “o Brasil pode perfeitamente ser a potência dos alimentos, da energia limpa e dos produtos advindos da combinação da ciência com a nossa megabiodiversidade” e que o “setor gera benefícios para toda a sociedade para pautar o futuro do Brasil com base no desenvolvimento sustentável”. Espero que a supracitada combinação de ciência com “megabiodiversidade” não seja entendida pelo movimento apenas como a produção de organismos geneticamente modificados, visando somente a produtividade agrícola, mas sim a conservação da biodiversidade e dos processos ecológicos-evolutivos responsáveis por sua manutenção, nem que o tão batido “desenvolvimento sustentável” seja apenas o sustento do desenvolvimento agrícola.
A agropecuária e a conservação podem andar juntas!
Gado curraleiro, no Nordeste, também chamado de Pé Duro. Ele foi substituído pelo zebuíno criado em sistema de monocultura. Foto: http://www.nordesterural.com.br/
A questão da agropecuária vai muito além do Movimento Sou Agro. A maior parte do território brasileiro está nas mãos de proprietários rurais. Existem mais de 5 milhões de fazendas espalhadas por todo o território nacional. É impossível fazer conservação de biodiversidade no Brasil sem o apoio dos agricultores, da mesma forma que a conservação necessita trazer benefícios para quem está no campo. O Brasil, país detentor da maior biodiversidade do planeta, também é uma potência agrícola. Essa é a maior prova de que não existe nada de errado em produzir e conservar. Produzir de verdade e conservar de verdade. Não existe incompatibilidade nisso.
A agricultura e a pecuária, como diversas outras atividades, sempre dependeram de serviços ambientais e do meio ambiente equilibrado para seu sucesso. A agricultura depende da oferta de água, depende da polinização, depende da conservação do solo, depende de um clima previsível. Conheço muitos proprietários rurais que percebem isso e entendem que podem compatibilizar a produção agrícola com a preservação dos processos ecológicos (e dos organismos que os mantêm) em suas propriedades. Nunca houve incompatibilidade entre produção e conservação. A quem interessa alimentar essa celeuma? Certamente não interessa à sociedade brasileira.
Para garantir que a conservação e a produção andem juntas, é necessário, antes de tudo, seriedade na ocupação do território. Isso significa não apenas planejamentos patrocinados pelos governos em grandes escalas territoriais, mas também na ocupação do solo nas fazendas. A preocupação com a conservação do solo, a manutenção das matas ribeirinhas, o cuidado com a água e a vegetação é uma prova do respeito do proprietário com sua própria terra, com a sustentabilidade da terra que ele vai deixar para os seus filhos.
O agro que respeita será recompensado
A economia está mudando. Os mecanismos econômicos de pagamento por serviços ambientais estão sendo refinados e em pouco tempo estarão operando. Proprietários que contribuem com a conservação destes serviços podem receber receitas relevantes pelo simples fato de terem conservado atributos ambientais em suas propriedades. Diversos serviços podem ser explorados nas propriedades rurais onde existam atributos ambientais relevantes. Basta que proprietários empreendedores e conscientes atuem em tais oportunidades. O preconceito de algumas poucas pessoas dos diferentes setores (conservacionista e agrícola) em nada contribui para a percepção de tais oportunidades.
Certas abordagens de pesquisa, como o estabelecimento de “Parques do Pleistoceno”, podem demonstrar a importância da pecuária em pastagens nativas no Brasil e, porque não, na relevância do gado para o aumento da diversidade vegetal e o controle de incêndios florestais? O agronegócio contribuiu fortemente para que raças de gado nacionais, como o robusto, leve e manejável caracu e os resistentes curraleiros, os quais se adaptam às pastagens nativas e a uma enormidade de fontes de alimento, fossem substituídos por zebuínos criados em sistemas de monoculturas de gramíneas exóticas. É esse o Brasil que cresce saudável?
O Brasil é um país agrícola. Todo brasileiro reconhece a importância da agricultura. No entanto, o brasileiro reconhecerá cada vez mais a importância dos agricultores que entendem e contribuem para a conservação do patrimônio natural do Brasil, que enxergam o futuro e pensam nos filhos dessa terra.
(Este texto contou com excelentes sugestões de Fernando Fernandez.)
Diego Adolfo Pitirini
FEAB- Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil -Coordenação Nacional
"Paz entre nós, guerra aos senhores"
"Odeio os indiferentes. Acredito que viver significa tomar partido”. Antonio Gramsci
55-96248167
"É pirueta pra cavar o ganha-pão,
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão"
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Questão Agrária no RS
MST pressiona por reforma agraria no Rio grande do sul
Ainda era madrugada quando a linha de frente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) cortou o alambrado e iniciou a ocupação de uma área de 600 hectares em Viamão, na Grande Porto Alegre. Aproximadamente 200 famílias estão no local. A ação integra a estratégia do MST para pressionar o governo gaúcho a cumprir um termo de compromisso firmado em abril deste ano.
A reportagem e a foto é de Nanda Barreto e publicado pelo Brasil de Fato, 26-09-2011.
Pelo acordo, o governo de Tarso Genro deveria assentar mil famílias até 2012. A promessa, ainda cintinua só no papel e até agora nenhuma família teve seu direito garantido. "Estamos determinados: pra gente sair daqui só com um assentamento concreto. Temos companheiros que estão há 7, 8 anos vivendo debaixo da lona, lutando pelo direito de produzir. É um vida dura", salienta trabalhador rural João Paulo da Silva, que deixou o acampamento Nova Esperança, em Santana do Livramento, para participar da ocupação.
Por volta das 10 horas da manhã, a primeira viatura da Polícia Militar chegou ao local - situado nas redondezas do pedágio da RS 040 - para conversar com lideranças. O advogado Emiliano Maldonado, que presta assessoria jurídica ao grupo, explica que a área ocupada não cumpre nenhuma função social, além de prestar um desserviço à sociedade. "É uma terra livre para o tráfico. No início deste ano uma operação da Polícia Federal apreendeu cerca de duas toneladas de maconha num galpão que fica na área".
Resistir, produzir
Enquanto dezenas de integrantes do movimento levantavam barracas, e armavam estruturas de bambu e penduravam faixas e bandeiras, a agricultora Jussara Melo se dedicava a preparar o almoço coletivo. Acampada há 6 meses no interior do estado, ela decidiu tentar nova vida em Viamão. "Vim com meus dois filhos e com meu marido e não vamos arredar o pé daqui enquanto não tivermos terra para produzir", garante.
Em situação semelhante está a agricultora Suzana da Silva, que é vizinha de acampamento da Jussara, em Charqueadas. "Eu tenho um guri de 12 anos e uma guria de 8. A mais nova aprendeu a caminhar e a falar num acampamento do MST. Estamos na luta há muito tempo. O governo prometeu e já é hora de cumprir. Só vamos sair daqui com a terra na mão. Sabemos que não será fácil, mas nada vem fácil pra gente".
Apesar das dificuldades, Suzana gosta da vida que leva. "Estamos ensinando nossos filhos a lutarem pelos direitos deles. E o acampamento é uma grande família. Aliás, eu conheço muita família por aí que não tem a união que nós temos. Isso acontece porque temos um mesmo objetivo, estamos juntos no mesmo barco", acredita.
Ação integrada
Outras duas ocupações foram realizadas simultaneamente no Rio Grande do Sul. No município de Vacaria, no Nordeste gaúcho, aproximadamente 400 famílias de sem-terra ocupam uma área pública, de responsabilidade do governo estadual. Em Sananduva, cerca de 200 pessoas ocupam uma área de 320 hectares.
"O governo diz que não tem dinheiro, mas ele tem. O que o governo não tem é prioridade com o pequeno agricultor. Nesse caso de Vacaria a área é deles e não teriam que pagar nada. Esta outra área aqui de Viamão está na mão do tráfico e já deveria ter sido expropriada", reclama João Paulo da Silva, que é filho de pequenos-agricultores assentados e atua no MST há quase 10 anos.
Ainda era madrugada quando a linha de frente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) cortou o alambrado e iniciou a ocupação de uma área de 600 hectares em Viamão, na Grande Porto Alegre. Aproximadamente 200 famílias estão no local. A ação integra a estratégia do MST para pressionar o governo gaúcho a cumprir um termo de compromisso firmado em abril deste ano.
A reportagem e a foto é de Nanda Barreto e publicado pelo Brasil de Fato, 26-09-2011.
Pelo acordo, o governo de Tarso Genro deveria assentar mil famílias até 2012. A promessa, ainda cintinua só no papel e até agora nenhuma família teve seu direito garantido. "Estamos determinados: pra gente sair daqui só com um assentamento concreto. Temos companheiros que estão há 7, 8 anos vivendo debaixo da lona, lutando pelo direito de produzir. É um vida dura", salienta trabalhador rural João Paulo da Silva, que deixou o acampamento Nova Esperança, em Santana do Livramento, para participar da ocupação.
Por volta das 10 horas da manhã, a primeira viatura da Polícia Militar chegou ao local - situado nas redondezas do pedágio da RS 040 - para conversar com lideranças. O advogado Emiliano Maldonado, que presta assessoria jurídica ao grupo, explica que a área ocupada não cumpre nenhuma função social, além de prestar um desserviço à sociedade. "É uma terra livre para o tráfico. No início deste ano uma operação da Polícia Federal apreendeu cerca de duas toneladas de maconha num galpão que fica na área".
Resistir, produzir
Enquanto dezenas de integrantes do movimento levantavam barracas, e armavam estruturas de bambu e penduravam faixas e bandeiras, a agricultora Jussara Melo se dedicava a preparar o almoço coletivo. Acampada há 6 meses no interior do estado, ela decidiu tentar nova vida em Viamão. "Vim com meus dois filhos e com meu marido e não vamos arredar o pé daqui enquanto não tivermos terra para produzir", garante.
Em situação semelhante está a agricultora Suzana da Silva, que é vizinha de acampamento da Jussara, em Charqueadas. "Eu tenho um guri de 12 anos e uma guria de 8. A mais nova aprendeu a caminhar e a falar num acampamento do MST. Estamos na luta há muito tempo. O governo prometeu e já é hora de cumprir. Só vamos sair daqui com a terra na mão. Sabemos que não será fácil, mas nada vem fácil pra gente".
Apesar das dificuldades, Suzana gosta da vida que leva. "Estamos ensinando nossos filhos a lutarem pelos direitos deles. E o acampamento é uma grande família. Aliás, eu conheço muita família por aí que não tem a união que nós temos. Isso acontece porque temos um mesmo objetivo, estamos juntos no mesmo barco", acredita.
Ação integrada
Outras duas ocupações foram realizadas simultaneamente no Rio Grande do Sul. No município de Vacaria, no Nordeste gaúcho, aproximadamente 400 famílias de sem-terra ocupam uma área pública, de responsabilidade do governo estadual. Em Sananduva, cerca de 200 pessoas ocupam uma área de 320 hectares.
"O governo diz que não tem dinheiro, mas ele tem. O que o governo não tem é prioridade com o pequeno agricultor. Nesse caso de Vacaria a área é deles e não teriam que pagar nada. Esta outra área aqui de Viamão está na mão do tráfico e já deveria ter sido expropriada", reclama João Paulo da Silva, que é filho de pequenos-agricultores assentados e atua no MST há quase 10 anos.
Comissão da Verdade
Deputado Federal Marcon comemora a aprovação da Comissão da Verdade
Na noitede quarta-feira (21), foi aprovado pela Câmara dos Deputados o PL 7376/2010 que cria a Comissão Nacional da Verdade em caráter de urgência. Esta Comissão é uma reivindicação antiga para que sejam esclarecidas as violações dos direitos humanos no período entre 1946 e 1988.
O Brasil é um dos últimos países da América Latina que ainda não investigou os crimes praticados no período da ditadura e, só a partir da instalação da Comissão da Verdade, é que arquivos, em todos os níveis de sigilo, poderão ser consultados para esclarecer as violações. Contudo, o conteúdo de documentos sigilosos consultados não poderão ser divulgados.
Para o deputado Marcon “esta é uma vitória da democracia e uma esperança de a história recente do Brasil seja desvendada e o povo, assim, conheça as atrocidades cometidas no período da ditadura através das histórias dos desaparecidos e perseguidos políticos”, declarou o parlamentar.
Em seu discurso de plenário, Marcon fez questão de mencionar todo o empenho da presidenta Dilma Rousseff que, como uma das presas sobreviventes da ditadura, pode anunciar ainda durante a Assembléia Geral da ONU a aprovação da Comissão da Verdade pela Câmara dos deputados. “Nossa presidenta é símbolo da resistência e persistência pela implantação da democracia”, completou o deputado.
Acompanharam a votação militantes e organizações de direitos humanos e familiares de ex-presos e desaparecidos políticos. O projeto ainda passa pela votação no Senado.
Forum Permanente de Desenvolvimento Rural Sustentável
Você está em: Notícias / Brasil Sem Miséria chega ao campo
Pobreza Rural
Brasil Sem Miséria chega ao campo
Publicado em: 27/9/2011
Doutor em Ciências Econômicas e professor da UFSC Lauro Mattei critica e esclarece as ações do BSM no meio rural que começaram nesta semana.
Dez mil famílias de agricultores de 47 municípios da Bahia e de Minas Gerais, com renda mensal inferior a R$ 70,00 por pessoa, começam a receber nesta semana visitas da assistência técnica e extensão rural (ATER). A ação marca o início do Brasil Sem Miséria no meio rural, Plano que visa atender famílias em situação de extrema pobreza. Confira a entrevista com o Doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas e Pós-Doutor pela Universidade Oxford Lauro Mattei sobre o Plano.
O que você acha do início das visitas na Bahia e Minas Gerais?
É importante esta iniciativa, uma vez que após 9 meses do inicio do Governo, algumas ações no campo específico do combate à pobreza extrema começam a sair do papel. Mas, como sempre, essas ações são muito lentas e seus resultados tornam-se uma incógnita.
E a assistência técnica diferenciada anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Qual a sua opinião?
Aqui me parece que duas questões estão imbricadas. Por um lado a ideia de levar assistência técnica diferenciada é a admissão pública dos órgãos governamentais de que o sistema de ATER não vinha priorizando o atendimento a este segmento da população rural. Não é necessário ser um grande expert em desenvolvimento rural para entender que o sistema e a assistência técnica e extensão rural foi um instrumento importante até mesmo para agravar as condições do segmento que agora se quer atender, pelos compromissos históricos desses serviços com parte das oligarquias rurais.
Qual é o outro ponto em questão?
Considero extremamente temerário buscar a superação da miséria rural a partir do sistema de ATER. Com isso, não estou dizendo que ele não seja útil. Porém, conhecendo sua natureza e seus limites, me parece ser necessário um conjunto de outras políticas articuladas de desenvolvimento rural que vão além da esfera produtiva, inclusive. Ainda não está claro o diagnóstico preciso dos agentes governamentais que levam a esta situação de miséria. Por exemplo, sabe-se da grande importância que o acesso a bens de capital (terra e água, principalmente) tem na determinação das condições materiais de uma família trabalhadora rural. Portanto, parecer ser bem mais complicada, especialmente nos estados mencionados, a solução da questão, particularmente quando a questão da terra é tratada secundariamente pela nova política.
Qual o papel da inclusão produtiva enquanto estratégia de superação da pobreza rural?
Este deve ser o caminho não apenas para superação da pobreza rural, mas fundamentalmente para levar cidadania a população rural. Não acredito que ações desconexas e sem atacar determinantes estruturais geradores de pobreza possam chegar a um resultado mais efetivo daqui a 4 anos (meta do atual governo).
O que você acha sobre os critérios de escolha das famílias via DAP do Plano?
Todos sabemos que o Pronaf é a principal política de desenvolvimento rural em curso no Brasil, especialmente para o setor da agricultura familiar. Todavia, quando se olha para quem está sendo destinado o montante do crédito (grande maioria concentrado no Centro-Sul do país e nas categorias de agricultores familiares consolidados e muitos integrados ao setor de commodities agroindustriais) facilmente percebe-se que esta não é mais uma política pública voltada à promoção do Desenvolvimento Rural (com letras maiúsculas), mas sim à promoção da modernização de parte da agricultura familiar integrado ao setor comercial de commmodities (razão de sua concentração no centro sul do país). Portanto, não vejo condições objetivas no horizonte, em curto prazo, para grandes mudanças nesse processo histórico de exclusão social no meio rural.
Faça uma síntese sobre o Plano Brasil sem Miséria no meio rural:
Estou convicto que o sistema de pesquisa e extensão rural (Embrapa e Empresas públicas de ATER) não foram constituídas para atender a este público. Portanto, não vejo que uma simples capacitação de cinco dias para uma equipe limitada de técnicos seja capaz de reverter uma trajetória histórica de ação dessas empresas. De qualquer forma, espero que alguma semente possa ser lançada nestas regiões, não alimentando a ilusão que um problema secular seja resolvido em quatro anos. Neste sentido, aqueles que acham ser séticas e pessimistas minhas posições, convido a uma reflexão mais profunda tomando como base dos livros ícones da formação social e econômica do Brasil rural: Caio Prado e Celso Furtado.
*Lauro Mattei atualmente é professor associado, ministrando aulas nos cursos de Graduação e de Pós-Graduação em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina e no programa de Pós-Graduação em Administração da mesma universidade.
Leia mais sobre o Plano Brasil sem Miséria aqui
O que você acha do início das visitas na Bahia e Minas Gerais?
É importante esta iniciativa, uma vez que após 9 meses do inicio do Governo, algumas ações no campo específico do combate à pobreza extrema começam a sair do papel. Mas, como sempre, essas ações são muito lentas e seus resultados tornam-se uma incógnita.
E a assistência técnica diferenciada anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Qual a sua opinião?
Aqui me parece que duas questões estão imbricadas. Por um lado a ideia de levar assistência técnica diferenciada é a admissão pública dos órgãos governamentais de que o sistema de ATER não vinha priorizando o atendimento a este segmento da população rural. Não é necessário ser um grande expert em desenvolvimento rural para entender que o sistema e a assistência técnica e extensão rural foi um instrumento importante até mesmo para agravar as condições do segmento que agora se quer atender, pelos compromissos históricos desses serviços com parte das oligarquias rurais.
Qual é o outro ponto em questão?
Considero extremamente temerário buscar a superação da miséria rural a partir do sistema de ATER. Com isso, não estou dizendo que ele não seja útil. Porém, conhecendo sua natureza e seus limites, me parece ser necessário um conjunto de outras políticas articuladas de desenvolvimento rural que vão além da esfera produtiva, inclusive. Ainda não está claro o diagnóstico preciso dos agentes governamentais que levam a esta situação de miséria. Por exemplo, sabe-se da grande importância que o acesso a bens de capital (terra e água, principalmente) tem na determinação das condições materiais de uma família trabalhadora rural. Portanto, parecer ser bem mais complicada, especialmente nos estados mencionados, a solução da questão, particularmente quando a questão da terra é tratada secundariamente pela nova política.
Qual o papel da inclusão produtiva enquanto estratégia de superação da pobreza rural?
Este deve ser o caminho não apenas para superação da pobreza rural, mas fundamentalmente para levar cidadania a população rural. Não acredito que ações desconexas e sem atacar determinantes estruturais geradores de pobreza possam chegar a um resultado mais efetivo daqui a 4 anos (meta do atual governo).
O que você acha sobre os critérios de escolha das famílias via DAP do Plano?
Todos sabemos que o Pronaf é a principal política de desenvolvimento rural em curso no Brasil, especialmente para o setor da agricultura familiar. Todavia, quando se olha para quem está sendo destinado o montante do crédito (grande maioria concentrado no Centro-Sul do país e nas categorias de agricultores familiares consolidados e muitos integrados ao setor de commodities agroindustriais) facilmente percebe-se que esta não é mais uma política pública voltada à promoção do Desenvolvimento Rural (com letras maiúsculas), mas sim à promoção da modernização de parte da agricultura familiar integrado ao setor comercial de commmodities (razão de sua concentração no centro sul do país). Portanto, não vejo condições objetivas no horizonte, em curto prazo, para grandes mudanças nesse processo histórico de exclusão social no meio rural.
Faça uma síntese sobre o Plano Brasil sem Miséria no meio rural:
Estou convicto que o sistema de pesquisa e extensão rural (Embrapa e Empresas públicas de ATER) não foram constituídas para atender a este público. Portanto, não vejo que uma simples capacitação de cinco dias para uma equipe limitada de técnicos seja capaz de reverter uma trajetória histórica de ação dessas empresas. De qualquer forma, espero que alguma semente possa ser lançada nestas regiões, não alimentando a ilusão que um problema secular seja resolvido em quatro anos. Neste sentido, aqueles que acham ser séticas e pessimistas minhas posições, convido a uma reflexão mais profunda tomando como base dos livros ícones da formação social e econômica do Brasil rural: Caio Prado e Celso Furtado.
*Lauro Mattei atualmente é professor associado, ministrando aulas nos cursos de Graduação e de Pós-Graduação em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina e no programa de Pós-Graduação em Administração da mesma universidade.
Leia mais sobre o Plano Brasil sem Miséria aqui
Dúvidas e sugestões envie para: IICA
República do Congo
A solidão do refúgio urbano na República Democrática do Congo
KINSHASA, República Democrática do Congo, 22 de setembro (ACNUR) -
Jack* está perdendo as esperanças. O refugiado sudanês, 32 anos, está
preso em um país cuja língua ele não sabe falar e onde não consegue
arrumar um emprego decente. E ele não está pronto para retornar ao Sudão
do Sul, país onde seus pais foram mortos.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) se
encontrou com Jack recentemente, na sede da Equipe de Gestão de
Refugiados Urbanos em Kinshasa (ERUKIN), uma organização
não-governamental parceira do ACNUR, que ajuda os refugiados urbanos
mais vulneráveis na República Democrática do Congo (RDC). Ele estava lá
para pedir ajuda, após ter deixado sua casa, localizada no extremo da
capital, no dia anterior.
A dramática e difícil viagem que trouxe Jack a Kinshasa começou em 1989
em Juba, capital do Sudão do Sul, quando o país estava mergulhado na
guerra civil entre norte e sul e as autoridades de Cartum recrutavam
compulsoriamente pessoas do sul para servir as forças armadas.
“Nós deixamos nossas escolas [e fugimos]. A vida era ruim”, Jack
lembra. “Eu parti para Juba e depois para Uganda”, diz,
acrescentando que a situação apenas piorou. Ele viajava com um grupo e
tiveram o azar de cruzar com uma das milícias mais temidas da África - o
Exército de Resistência do Senhor.
“Eles atiraram em alguns dos nossos amigos”, disse, afirmando que
nesse momento decidiu voltar para Juba. Jack conta que não demorou muito
tempo para que ele fosse detido, acusado de ser um rebelde, e colocado
na prisão por dois anos. “Saí e vim para o Congo em 2003... Levei seis
meses no trajeto a pé, de carro e de barco [para chegar a Kinshasa]”.
Mas viver na capital congolesa não resolveu seus problemas, ainda que
seu status de refugiado tenha sido reconhecido em 2005. “Ainda estou
sofrendo”, diz. “Minha vida aqui é muito pobre. Estou sem emprego,
sem dinheiro”.
Entretanto, assim como outros refugiados sudaneses, Jack não está
pronto para voltar para casa, embora o Sudão do Sul tenha se tornado
independente no mês passado. Ele também não quer ficar em Kinshasa.
“Minha solução é deixar o Congo... Quando conseguir economizar um
pouco de dinheiro, em algum tempo, sairei daqui”.
Ele fala em ir para um país africano de língua inglesa, mas tudo parece
apenas um sonho. Ele mal tem sobrevivido com a venda de bebidas de ervas
e de bálsamos que ele carrega em um saco plástico, reconhecedo que:
“Para comer é um grande problema”. Jack lista suas habilidades,
como jardinagem e condução, mas enfrenta uma dura competição para
encontrar emprego.
A experiência de Jack não é a mais comum entre os mais de 15 mil
refugiados de nove países que vivem em Kinshasa - dos quais cerca de 70%
são angolanos - mas revela alguns dos problemas enfrentados por
refugiados urbanos em todo o continente africano.
Leia a íntegra desta notícia em http://www.acnur.org.br/
KINSHASA, República Democrática do Congo, 22 de setembro (ACNUR) -
Jack* está perdendo as esperanças. O refugiado sudanês, 32 anos, está
preso em um país cuja língua ele não sabe falar e onde não consegue
arrumar um emprego decente. E ele não está pronto para retornar ao Sudão
do Sul, país onde seus pais foram mortos.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) se
encontrou com Jack recentemente, na sede da Equipe de Gestão de
Refugiados Urbanos em Kinshasa (ERUKIN), uma organização
não-governamental parceira do ACNUR, que ajuda os refugiados urbanos
mais vulneráveis na República Democrática do Congo (RDC). Ele estava lá
para pedir ajuda, após ter deixado sua casa, localizada no extremo da
capital, no dia anterior.
A dramática e difícil viagem que trouxe Jack a Kinshasa começou em 1989
em Juba, capital do Sudão do Sul, quando o país estava mergulhado na
guerra civil entre norte e sul e as autoridades de Cartum recrutavam
compulsoriamente pessoas do sul para servir as forças armadas.
“Nós deixamos nossas escolas [e fugimos]. A vida era ruim”, Jack
lembra. “Eu parti para Juba e depois para Uganda”, diz,
acrescentando que a situação apenas piorou. Ele viajava com um grupo e
tiveram o azar de cruzar com uma das milícias mais temidas da África - o
Exército de Resistência do Senhor.
“Eles atiraram em alguns dos nossos amigos”, disse, afirmando que
nesse momento decidiu voltar para Juba. Jack conta que não demorou muito
tempo para que ele fosse detido, acusado de ser um rebelde, e colocado
na prisão por dois anos. “Saí e vim para o Congo em 2003... Levei seis
meses no trajeto a pé, de carro e de barco [para chegar a Kinshasa]”.
Mas viver na capital congolesa não resolveu seus problemas, ainda que
seu status de refugiado tenha sido reconhecido em 2005. “Ainda estou
sofrendo”, diz. “Minha vida aqui é muito pobre. Estou sem emprego,
sem dinheiro”.
Entretanto, assim como outros refugiados sudaneses, Jack não está
pronto para voltar para casa, embora o Sudão do Sul tenha se tornado
independente no mês passado. Ele também não quer ficar em Kinshasa.
“Minha solução é deixar o Congo... Quando conseguir economizar um
pouco de dinheiro, em algum tempo, sairei daqui”.
Ele fala em ir para um país africano de língua inglesa, mas tudo parece
apenas um sonho. Ele mal tem sobrevivido com a venda de bebidas de ervas
e de bálsamos que ele carrega em um saco plástico, reconhecedo que:
“Para comer é um grande problema”. Jack lista suas habilidades,
como jardinagem e condução, mas enfrenta uma dura competição para
encontrar emprego.
A experiência de Jack não é a mais comum entre os mais de 15 mil
refugiados de nove países que vivem em Kinshasa - dos quais cerca de 70%
são angolanos - mas revela alguns dos problemas enfrentados por
refugiados urbanos em todo o continente africano.
Leia a íntegra desta notícia em http://www.acnur.org.br/
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Rede Estadual/RS de Territórios da Cidadania realiza Encontro Estadual em Santa Maria
A Rede Estadual/RS dos Territórios da Cidadania, Territórios Rurais e Pré-Território, que comproendem 12 unidades em todo o Estado do Rio Grande do Sul realizou seu Encontro Estadual
nos dia 21 e 21 de setembro no Seminário São José em Santa Maria. Pelo Território Central da Cidadania, que abrange 34 Municípios da região central, participaram além do Assessor Territorial, Eng. Agron. Claudio de Lucca, Rubem Antunes Brasil de Dilermando de Aguiar, Jorge de Oliveira de Cacequi e Nélvio Guerreiro Pegoraro de Tupanciretã, sendo que os mesmos estarão representando o Território Central na Rede Estadual, além da escolha de uma mulher para representar o gênero feminino, respeitando a proporcionalidade de do mínimo de 30% de mulheres.
nos dia 21 e 21 de setembro no Seminário São José em Santa Maria. Pelo Território Central da Cidadania, que abrange 34 Municípios da região central, participaram além do Assessor Territorial, Eng. Agron. Claudio de Lucca, Rubem Antunes Brasil de Dilermando de Aguiar, Jorge de Oliveira de Cacequi e Nélvio Guerreiro Pegoraro de Tupanciretã, sendo que os mesmos estarão representando o Território Central na Rede Estadual, além da escolha de uma mulher para representar o gênero feminino, respeitando a proporcionalidade de do mínimo de 30% de mulheres.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Histórico de Dilemando de Aguiar
Histórico do Município
A caracterização histórica do município de Dilermando de Aguiar segue a mesma trajetória do município de Santa Maria, formado em toda a sua extensão por propriedades originárias das antigas sesmarias, dentre as quais, Antonio da Costa Pavão, em 1806 e José Maria da Gama Lobo D'eca, em 1821, cujos nomes ficaram assinalados com a denominação de Colônia Pavão e Picada do Gama, nas respectivas regiões.
A região foi inicialmente explorada por espanhóis, oriundos da região Basca, denominada Biscaia (na Espanha), que ocuparam a região no século passado, explorando a extração de madeira que era comercializada com a Região da Bacia do Rio da Prata e das Missões. Só mais tarde que os portugueses se estabeleceram no local.
Por volta de 1885 o Tenente Coronel José da Rocha Vieira, inicia o povoamento do local chamado de Estação São Pedro, construindo duas casas; uma de moradia e um hotel, ao largo da estrada de ferro. Local que mais tarde seria construída a Estação Ferroviária.
Em 1889, conforme João Belém, em sua “História do Município de Santa Maria", havia quase 100 propriedades pastoris na região, a qual na época, constituía o Distrito de Pau Fincado.
Com a formação dos municípios de São Gabriel, São Vicente e Cacequi, a região do Pau Fincado tem grande parte de suas terras incorporadas àqueles municípios, contudo, à parte que restou, veio se constituir no Segundo Distrito de Santa Maria.
Em 23 de dezembro de 1890 é inaugurada a Estação Ferroviária e em homenagem ao engenheiro que a construiu, dá-se o nome á localidade, de "Dilermando de Aguiar".
Em 1919 a vila cresceu em importância, quando tornou-se ponto inicial de um novo Ramal Ferroviário, ligando Santa Maria a região de São Borja e São Luiz Gonzaga. Nessa época, o então Distrito, atingiu a população de 4.593 habitantes.
Dilermando de Aguiar ao longo de sua história, tem sido palco de fatos históricos, como o Combate de Porteirinha, durante a revolução federalista entre chimangos (republicanos) e maragatos (federalistas), entre os anos de 1893 e 1895.
Em 1928 foi construída a primeira Igreja Católica, facilitando a formação do povoado. Em 21 de maio de 1995 é realizada uma assembléia com os moradores do distrito e fica constituída a comissão de emancipação. Em 22 de outubro de 1995, é realizado o Plebiscito e a população vota a favor da Emancipação. Em 29 de dezembro de 1995, é assinada a Lei Nº 10.633, que cria o Município de Dilermando de Aguiar. Em 03 de outubro de 1996, é feita a primeira eleição para a escolha de prefeito e vereadores, no município. Em 01 de janeiro de 1997, assume a primeira Administração Municipal de Dilermando de Aguiar juntamente com os Vereadores empossados.
A religião Católica é a de maior expressão no município, possuindo seis capelas no interior e uma Igreja (Igreja de Nossa Senhora da Pompéia), na sede. A Igreja Católica desenvolve junto á população, atividades comunitárias como Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde e Campanha do Agasalho. Também merecem destaque a Igreja Assembléia de Deus e os Centros Espíritas kardecistas.
Com relação às etnias, a população á originária da fusão hispano-portuguesa, juntamente com o indígena e o negro. Apresenta também contribuição da etnia de origem italiana cujos ancestrais se estabeleceram após o inicio do século.
A população de Dilermando de Aguiar mantém vivas as tradições gaúchas através de seus CTGs e Piquetes, organizando Bailes, Rodeios, Cavalgadas, Corridas de Cancha Reta, além de Torneios de Bocha. Também é costume da população, o convívio entre vizinhos, para conversas informais e para manter a tradição do chimarrão.
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