A solidão do refúgio urbano na República Democrática do Congo
KINSHASA, República Democrática do Congo, 22 de setembro (ACNUR) -
Jack* está perdendo as esperanças. O refugiado sudanês, 32 anos, está
preso em um país cuja língua ele não sabe falar e onde não consegue
arrumar um emprego decente. E ele não está pronto para retornar ao Sudão
do Sul, país onde seus pais foram mortos.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) se
encontrou com Jack recentemente, na sede da Equipe de Gestão de
Refugiados Urbanos em Kinshasa (ERUKIN), uma organização
não-governamental parceira do ACNUR, que ajuda os refugiados urbanos
mais vulneráveis na República Democrática do Congo (RDC). Ele estava lá
para pedir ajuda, após ter deixado sua casa, localizada no extremo da
capital, no dia anterior.
A dramática e difícil viagem que trouxe Jack a Kinshasa começou em 1989
em Juba, capital do Sudão do Sul, quando o país estava mergulhado na
guerra civil entre norte e sul e as autoridades de Cartum recrutavam
compulsoriamente pessoas do sul para servir as forças armadas.
“Nós deixamos nossas escolas [e fugimos]. A vida era ruim”, Jack
lembra. “Eu parti para Juba e depois para Uganda”, diz,
acrescentando que a situação apenas piorou. Ele viajava com um grupo e
tiveram o azar de cruzar com uma das milícias mais temidas da África - o
Exército de Resistência do Senhor.
“Eles atiraram em alguns dos nossos amigos”, disse, afirmando que
nesse momento decidiu voltar para Juba. Jack conta que não demorou muito
tempo para que ele fosse detido, acusado de ser um rebelde, e colocado
na prisão por dois anos. “Saí e vim para o Congo em 2003... Levei seis
meses no trajeto a pé, de carro e de barco [para chegar a Kinshasa]”.
Mas viver na capital congolesa não resolveu seus problemas, ainda que
seu status de refugiado tenha sido reconhecido em 2005. “Ainda estou
sofrendo”, diz. “Minha vida aqui é muito pobre. Estou sem emprego,
sem dinheiro”.
Entretanto, assim como outros refugiados sudaneses, Jack não está
pronto para voltar para casa, embora o Sudão do Sul tenha se tornado
independente no mês passado. Ele também não quer ficar em Kinshasa.
“Minha solução é deixar o Congo... Quando conseguir economizar um
pouco de dinheiro, em algum tempo, sairei daqui”.
Ele fala em ir para um país africano de língua inglesa, mas tudo parece
apenas um sonho. Ele mal tem sobrevivido com a venda de bebidas de ervas
e de bálsamos que ele carrega em um saco plástico, reconhecedo que:
“Para comer é um grande problema”. Jack lista suas habilidades,
como jardinagem e condução, mas enfrenta uma dura competição para
encontrar emprego.
A experiência de Jack não é a mais comum entre os mais de 15 mil
refugiados de nove países que vivem em Kinshasa - dos quais cerca de 70%
são angolanos - mas revela alguns dos problemas enfrentados por
refugiados urbanos em todo o continente africano.
Leia a íntegra desta notícia em http://www.acnur.org.br/
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